
A cidade sem maestro
Raramente Barcelos viveu, numa única noite, uma ag...
Em 25 de Setembro de 2008, o Barcelos Popular noticiou, na primeira página, que Fernando “Reis concordou com o encerramento da maternidade” de Barcelos.
Na origem da notícia estiveram declarações prestadas pelo ex-ministro da Saúde, Correia de Campos, que afirmava então o acordo recebido do presidente da Câmara de Barcelos às suas reformas e, por consequência, à política de encerramento de muitas maternidades – a de Barcelos incluída – espalhadas pelo país.
Armado em prima donna, o doutor Reis, pela mão do seu assessor, Domingos Araújo, no exercício de um direito de resposta, negou essa concordância, chamou-nos mentirosos e até – imagine-se! – nos ameaçou com um recurso “às instâncias mais apropriadas”.
A verdade, porém, é como o azeite: vem sempre ao de cima. E em vez de recorrer às tais “instâncias mais apropriadas”, o doutor Reis veio esta semana agradecer ao seu bem feitor Correia de Campos por este lhe ter dado um hospital a troco de uma maternidade.
O “saldo é positivo”, diz o doutor Reis. E “Correia de Campos devia estar cá hoje e ser convidado para a inauguração” do novo hospital de Barcelos. Ficou-lhe bem o gesto. O senhor provou que, apesar da mentira, não é ingrato.
Espero, por isso, que siga a mesma linha de rumo no tal recurso a “instâncias mais apropriadas”. Não se acanhe. Avance doutor Reis. Sem receio. Que nunca lhe falte a coragem. Da minha parte já sabe o que esperar: não cedo a pressões e não tenho medo nenhum de si.
Já agora aceite um conselho: para a próxima, em vez de andar a gastar o dinheiro que não é seu, em excursões até Lisboa, para reivindicar o que no conforto dos gabinetes trocou por um prato de lentilhas, habitue-se a falar verdade. Quem tem telhados de vidro não pode atirar pedras.
Fique-se com o seu hospital – com cada vez menos valências – porque qualquer dia, quando já não houver sequer lá um médico, pode ser que se venha a transformar num lar para políticos reformados.
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