O Voto Útil por Barcelos
Com as Eleições Autárquicas já agendadas para 11 de Outubro, os barcelenses vão ser chamados a eleger, para um novo mandato de quatro anos, os seus representantes na Câmara, Assembleia Municipal, Juntas e Assembleias de Freguesia.
E é agora que mais uma vez se ouvirá das maiores forças políticas do concelho – PS e PSD – apregoar que o voto só terá utilidade caso a escolha seja feita neles, os dois do costume.
E afinal quem são estes PSD e PS? Do primeiro que tem vindo a eleger continuadamente cinco vereadores conquistando maiorias absolutas, o modelo de gestão que se lhe conhece só tem contribuído para uma acentuada degradação da vida das populações. Quanto ao PS, com os seus quatro vereadores sem quaisquer pelouros, quando seria de esperar mais, a prática que se lhe conhece pouco tem incomodado o poder. E são estes os do costume...
Sabe-se por experiência de outros actos eleitorais que estes dois partidos, até ao dia da reflexão, utilizarão a sua postura habitual de donos dos votos. Tentando abarcar todos os eleitores sem nunca evidenciarem ideologias ou programas, gastando “rios” de dinheiro em campanhas populistas sem quaisquer argumentos válidos e úteis, estes partidos do cinzento e indefinido centrão vão, mais uma vez, fazer crer aos barcelenses que o voto só terá utilidade se for neles. Este é um dos vícios deformadores da democracia que tem sido continuamente utilizado para fazer esquecer outras candidaturas e outras alternativas.
Para ajudar ao embuste encomendam-se a alguns auto-apelidados visionários da politica que ostentam o emblema de intelectuais e de independentes e declaradamente se colocam ao serviço destas candidaturas, uns comentários analíticos ou uns artigos de opinião tendenciosa que façam lembrar e acreditar que não se deve perder o hábito de votar no PSD ou no PS.
Isto não é mais do que um falso ritual de tradição, que não passa de uma maldição a pairar sobre todos os cidadãos e cidadãs deste concelho.
Mas os barcelenses estão conscientes que o voto, que é a arma que os donos do poder nos permitem usar de quatro em quatro anos, e que pese embora muitos não gostem, é ainda um dos poucos direitos constitucionais que quando exercido tem o mesmo valor para um abastado patrão assim como para um empobrecido trabalhador. Pode e deve ser usado contra os responsáveis pelos momentos de crise, corrupção, do compadrio, da inoperância, do desleixo e do abandono das nossas riquezas naturais e arquitectónicas, levadas a cabo por quem tem governado em absoluto o nosso concelho.
Todos os que querem mudança com credibilidade e confiança vão certamente usar o voto para derrubar estas estratégias de abandono dos cidadãos. E sabem que acima de tudo cada voto útil só o é se for usado em consciência e em candidaturas que representem um programa ao serviço de todos. É neste contexto que se apresentam todas as candidaturas do BE no país, no distrito, nos concelhos e nas freguesias.
Como segundo o último recenseamento o número de eleitores em Barcelos ultrapassou os 100 mil, vai nestas eleições eleger 11 vereadores em vez dos habituais nove. Esta realidade coloca, de novo, na agenda politica a possibilidade de eleição de autarcas de outros partidos como já há muitos anos não se perspectivava. E esta realidade pode definitivamente acabar com mais do mesmo, ao criar uma vereação “multicolor”. Terminar ainda com a maioria absoluta PSD que tem governado Barcelos, e dar uma nova estratégia no que concerne às políticas de mudança de que Barcelos já há muito necessita. O Bloco de Esquerda é quem melhor pode protagonizar esta mudança.
Apelo aos cidadãos que não se deixem “levar na cantiga” da maioria absoluta e não deixem que Fernando Reis e o seu PSD continue a tratar Barcelos como se fosse o seu quintal, usando a arma da democracia como um mero slogan que faz valer só de quatro em quatro anos.
Apelo aos cidadãos que travem o atraso do concelho, do qual todos nós nos queixamos, e que retire das mãos do PSD o “cheque em branco” que só tem permitido pagar negócios ruinosos como a privatização da água e obras sem qualquer significado e utilidade para a comunidade.
Votar útil a 11 de Outubro é votar por Barcelos. Votar útil é votar nos interesses da população. Votar útil é votar em alternativas válidas, sérias, inovadoras, plurais e, acima de tudo, que façam do exercício da causa pública um serviço pleno da democracia.
