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Transparente como a água

O grande negócio da água não é o que Fernando Reis assinou em nome e em prejuízo dos barcelenses. Deveria ser, em alternativa, o negócio da sensibilização pública, da minimização do desperdício, da redução do custo e do preço do metro cúbico.

Fernando Reis tem afirmado que o negócio que assinou com a empresa Águas de Barcelos é transparente e legal. Os barcelenses não podem deixar de concordar que a transparência é de tal ordem, que já todos percebemos quão ruinosa foi para o concelho a cedência da exploração comercial, a uma empresa privada, do bem mais precioso da humanidade e que é propriedade de todos e de cada um de nós.

O ser humano pode deixar de se alimentar durante várias semanas, mas não é capaz de passar mais de dez dias sem beber água.

Este bem tão valioso quanto escasso não pode ser tratado como uma mercadoria vulgar, de natureza dispensável, sujeito somente às leis do mercado ou à cobiça de uma economia que privilegia apenas o lucro. A gestão deste recurso primário deve orientar-se para o bem comum, seguir as boas práticas da responsabilidade social e contribuir para o bem-estar e a felicidade das populações.

Não é isso que está a acontecer em Barcelos. Fernando Reis tomou uma decisão errada e grave, contra os interesses do concelho e dos barcelenses. Foi uma deliberação política com um alcance de 30 anos, que é a duração do contrato de exploração, ou melhor, da exploração da carteira dos barcelenses.

Quanto à legalidade do negócio e das acções intimidatórias que têm sido colocadas em prática um pouco por todo o concelho,  os  tribunais  vão dando sistematicamente razão aos barcelenses que a eles recorrem.  Em  cada  caso  julgado, a independência dos tribunais tem  vindo  a  mostrar  aquilo que todos sabemos: quem tem razão são os barcelenses e não Fernando Reis e a sua escandalosa decisão de criar um grande negócio à custa do bolso dos seus conterrâneos.

Mas a água não serve, apenas, para ser bebida, apesar do ser humano ser composto por cerca de 70 por cento desse líquido inestimável. A água destinada ao consumo humano serve, igualmente, para a preparação e confecção de alimentos, para além de diversos fins domésticos que satisfazem, no seu conjunto, necessidades fundamentais que constituem verdadeiros indicadores de qualidade de vida.

A escassez de água no planeta exige que cada um de nós, numa atitude de cidadania, assuma as suas responsabilidades e saiba utilizá-la com o cuidado necessário. Por isso, é um dever de todos os cidadãos fazer bom uso da água, racionalizando o seu consumo. Mas é, igualmente, uma responsabilidade de quem exerce cargos políticos sensibilizar todos os cidadãos, começando pelos mais jovens, para a urgência de cuidar da água como ela merece, para que nós a possamos, também, merecer.

E é uma autêntica irresponsabilidade política concordar, como Fernando Reis fez, com os escandalosos e sucessivos aumentos dos preços das tarifas e do “aluguer do contador”, para valores acima de 80 por cento em cinco anos, apesar de, nesse período de tempo, a empresa Águas do Cávado, fornecedor da Águas de Barcelos, ter aumentado o preço em cerca de 16 por cento.

O grande negócio da água não é o que Fernando Reis assinou em nome e em prejuízo dos barcelenses. Deveria ser, em alternativa, o negócio da sensibilização pública, da minimização do desperdício, da redução do custo e do preço do metro cúbico, sem nunca esquecer, da parte dos responsáveis políticos, a atitude de respeito que os cidadãos, legitimamente descontentes e que protestam civilizadamente, merecem e têm direito.

Alguém perderia com esta forma de fazer política, mas os cidadãos barcelenses ficariam, sem dúvida alguma, a ganhar.

Opinião

Barcelos Popular
09 de Jul de 2009 0

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