
A cidade sem maestro
Raramente Barcelos viveu, numa única noite, uma ag...
Em declarações públicas, o social democrata Pacheco Pereira defendeu um dia que “quem se dedica à causa pública não tem tempo para ganhar dinheiro.”
Deduz-se, no seguimento da linha de raciocínio de Pacheco Pereira, que Fernando Reis, detentor de enorme fortuna pessoal, não terá estado assim tão dedicado a Barcelos e aos barcelenses.
E esse “desapego” à causa pública está à vista. Enquanto Reis se dedicava às suas actividades privadas, Barcelos agonizava até ao estado de marasmo que se vive actualmente. E as obras eternamente adiadas e os negócios ruinosos foram-se sucedendo, como é exemplo maior a sombria concessão da água a uma empresa que tem posto a cabeça em água aos barcelenses, com as facturas obscenas e as estradas esburacadas um pouco por todo o concelho.
Em boa verdade se diga que Reis já tinha negócios antes de chegar à presidência da Câmara de Barcelos. E a ambição do empresário não cabia nos Paços do Concelho. Reis queria mais. Mais dinheiro, bem entendido. Vai daí, a Câmara ficou para segundo plano. Digamos que Reis tem na autarquia uma fonte de rendimento secundária e daí se compreende que, ambicioso como é, dedique mais tempo àquilo que dá dinheiro. Em resumo, Reis segue a boa máxima de gestão de tempo, segundo a qual a maior fatia de dedicação deverá ser destinada a tarefas produtivas, ou seja, que signifiquem maior rentabilidade financeira.
A ver vamos se os barcelenses compreendem que Reis não ganha o suficiente como presidente da Câmara – de facto 40.000 euros/ano é uma bagatela! – e aceitam que o autarca continue a olhar para o seu concelho e para quem lhe confiou o voto como uma questão de segundo plano, ou se, finalmente, no próximo acto eleitoral, dirão um basta ao homem que há 20 anos governa com mestria a sua fortuna pessoal, relegando a governação municipal para actividade secundária com os prejuízos que saltam à vista para Barcelos e para os barcelenses.
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