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Água: um negócio de tentações

Editorial

Mas não podemos esquecer que um negócio, em regime de monopólio, que tem como mercadoria única um produto de que ninguém tem possibilidade de prescindir é demasiado tentador. Para quase todos menos para o consumidor.

A privatização das redes de distribuição de água não é um fenómeno local, regional ou até nacional. Foi lá fora, no estrangeiro, onde nasceram e fizeram escola as teorias do neo-liberalismo e da chamada terceira via, que o negócio entre o sector público que está dominado por uma classe política empenhada em desbaratar o património comum e os representantes do capitalismo selvagem mais se desenvolveu.

O modo pouco claro que muitas vezes tem marcado essas negociatas teve particular evidência em Grenoble, França, quando o Maire local e ministro do Governo de Édouard Balladur, Alain Carignon, foi condenado, em Julho de 1996, pelo Tribunal de Lyon, a três anos de prisão efectiva e cinco de inelegibilidade para cargos públicos, pela prática dos crimes de corrupção e abuso de bens sociais, no contrato de concessão ou privatização da distribuição de água à empresa Lyonnaise des Eaux.

Em Portugal, que se saiba, ainda não chegamos a este ponto. No caso particular de Barcelos também não há razões para suspeitar sequer de algum ilícito de qualquer natureza. O que nos preocupa, portanto, não são eventuais ou hipotéticas ilegalidades cometidas. O que está em causa é a tentação de um negócio que, pelas suas características, convida, pelo menos, ao favorecimento de um ou outro grupo de amigos e empresários.

Não temos razões (repita-se!) para duvidar, suspeitar e muito menos acusar quem quer que seja. Mas não podemos esquecer que um negócio, em regime de monopólio, que tem como mercadoria única um produto de que ninguém tem possibilidade de prescindir é demasiado tentador.  Para quase todos menos para o consumidor. Esse, como se tem visto por todo o lado, só tem saído prejudicado com a opção dos seus dirigentes autárquicos.

É por estas e por outras que sempre aqui defendemos que a distribuição da água não pode nem deve estar sob a responsabilidade de uma organização que tem como filosofia única a obtenção de lucro.

Podem pois espernear os senhores da Águas de Barcelos, da Câmara ou dessa aberração política que dá pelo nome de ERC. À vontade. Não temos medo nem nos calaremos!

Opinião

Barcelos Popular
25 de Jun de 2009 0

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