
É urgente Abril
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Uma famosa frase do Cardeal Richelieu sintetiza bem a perversidade do uso da informação exposta, mesmo que aparentemente inofensiva: "Se me derem seis linhas escritas pela mão do homem mais honesto, encontrarei nelas algo para o prender".
Julian Assange, fundador do Wikileaks, afirmou esta semana que o Facebook é "a mais assustadora máquina de espionagem já inventada". Assange, que já deu provas de não ser propriamente alguém mal informado, garante que os serviços de informação norte-americanos têm acesso, através de um interface desenvolvido para o efeito, à base de dados dos mais de 500 milhões de utilizadores da mais popular rede social da internet.
Esta revelação de Julian Assange vem demonstrar, uma vez mais, o quanto se expõe quem utiliza redes sociais na internet.
Há cerca de um ano, Mark Zuckerberg, o criador do Facebook, viu-se obrigado a ceder a pressões de um grupo cada vez mais crescente de utilizadores que pretendia que o seu perfil não fosse, por defeito, totalmente público. Antes, para que fossem criadas restrições à visualização de informaçao de perfil, o utilizador tinha de seleccionar um sem número de itens, num processo complexo e moroso. Zuckerberg chegou a defender em entrevistas que "a era da privacidade acabou", mas o 35º mais rico do mundo, segundo a Forbes, para evitar danos na imagem da sua mina de ouro, acabou, em parte, por ceder. Tornou-se mais simples proteger de quem não é "amigo" informações publicadas na rede. Embora, ainda assim, com universos de centenas ou até milhares de "amigos", continue a ser dificil controlar a difusão de informação mais ou menos própria.
De frisar que apesar de ser possivel restringir o acesso a informações por parte de utilizadores que não sejam "amigos", todos os dados se encontram disponiveis para tratamento por parte de quem controla o Facebook. E mesmo que um dia alguém decida fechar a sua conta na rede, todos os dados – fotografias, mensagens, sejam "públicas" ou "privadas", etc. – ficarão para sempre registados em alguma base de dados central.
E se hoje entende que não há nada de mal na foto ou mensagem que publicou, talvez amanhã a análise seja diferente.
Uma famosa frase do Cardeal Richelieu sintetiza bem a perversidade do uso da informação exposta, mesmo que aparentemente inofensiva: "Se me derem seis linhas escritas pela mão do homem mais honesto, encontrarei nelas algo para o prender". Quando todas as palavras e acções de um indivíduo podem ser guardadas para posterior exame, é a própria liberdade individual que está em causa, porquanto no futuro incerto os actos e palavras do passado poderão ser analisados de diversa perspectiva conjuntural.
Para todos aqueles que prezam a privacidade e defendem os valores da liberdade, a opção deverá continuar a ser o botão "não gosto" quando o assunto é redes sociais.
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