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Em defesa da cidadania: combater a abstenção

Editorial

A elevada abstenção que recorrentemente tem caracterizado os actos eleitorais para a escolha dos eurodeputados pode acentuar-se de forma dramática no próximo domingo.

De acordo com praticamente todas as projecções, a participação popular não deverá andar muito longe dos 30 por cento, e essa deveria ser a grande preocupação dos actores da vida política nacional.

Infelizmente, à excepção dos partidos à esquerda, o discurso dos restantes candidatos quase não aflora o problema e quando o faz, fá-lo de maneira tímida, quase envergonhada e sem convicção. A principal razão dos dois principais partidos estará relacionada com a preocupação única de ganhar ou perder por poucos face ao adversário, mas a constatação de que uma eventual participação acima da média os poderia penalizar também não será de desvalorizar.

O PS e o PSD sabem que o povo já compreendeu que não há diferenças substanciais entre as políticas europeias de um e de outro. Sabem que os eleitores, independentemente de quem venha a obter mandatos no final da contagem dos votos, também já se aperceberam de que a hipotética substituição de Durão Barroso, na presidência da Comissão Europeia, é uma falácia. E, sobretudo, não desconhecem que a abstenção reside essencialmente entre aqueles que já não acreditam nas políticas falidas do neo-liberalismo europeu que Sócrates ou Manuela tanto defendem.

Por outro lado, com os guiões que suportam o enredo das obscenidades televisivas contidas nas novelas do “Freeport” e do “BPN” a dominarem a campanha, não surpreende que mesmo o menos susceptível dos eleitores prefira trocar o voto pelo vómito.

Estando as coisas num patamar que cada vez mais se afunda na putrefação da mais imunda das fossas, a exigência do momento – até para a salvaguarda futura da democracia – obriga-nos a fazer um apelo, quase lancinante, à participação de todos nas eleições de domingo.

A democracia precisa dessa bóia, nem que seja só para se manter à tona da porcaria. Votar nulo ou votar em branco é muito mais importante do que não comparecer nas urnas. O protesto passa mais por aí do que pela demissão e o alheamento só interessa aos fautores da porcaria. A abstenção, em última instância, é uma forma de subscrever as políticas do roubo, da incompetência, da mentira e da corrupção. É contra isto que todos devemos votar.

Opinião

Barcelos Popular
04 de Jun de 2009 0

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