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Lutar por Abril

EDITORIAL

A liberdade, essa, fica para depois se, entretanto, nada fizermos para contrariar esta tendência.

A degradação progressiva e alarmante do desemprego e do poder de compra das classes sociais mais desfavorecidas está a gerar uma onda crescente de descontentamento com consequências imprevisíveis.

A classe média, por seu turno, sobrecarregada de impostos, obrigada a pagar taxas de juro obscenas nos créditos ao consumo e, sobretudo, à habitação, começa também ela a compreender que se não se inverter o rumo da política em curso, corre sérios riscos de entrar num processo de proletarização de que dificilmente se libertará.

Enquanto isto, a legislação que favorece os despedimentos, a redução das prestações sociais, o aumento da idade de reforma, o agravamento dos custos com a educação, a falta de perspectivas para a juventude e a emigração de quadros qualificados, ameaçam, a curto prazo, a viabilidade económica do país e conduzem-no para um beco sem saída idêntico ao que já se vive na Grécia.

No lado contrário, os grandes consórcios que dominam a banca, o mercado da distribuição alimentar, as redes de distribuição de electricidade e combustíveis ou as escandalosas e infames negociatas das parcerias público-privadas (para só citar alguns exemplos), assentam arraiais em paraísos fiscais para não pagarem impostos, beneficiam da cumplicidade dos governos na atribuição de concessões ou financiamento de actividades especulativas, e continuam a pagar salários pornográficos a gestores que, em muitos casos, transitam directamente dos ministérios para as suas administrações.

Face a este saque organizado e à pala dos mesmos de sempre – o povo que paga – assinam-se acordos de resgate de cumprimento duvidoso ou mesmo impossível, imbuídos de uma sanha persecutória a tudo o que cheire ligeiramente a cravo, para se apagar de vez o legado do 25 de Abril.

As consequências destas políticas que, de resto, não se limitam a Portugal, têm aqui particular importância porque não se trata apenas de implementar, em definitivo, o modelo neoliberal há muito ensaiado pelo capitalismo internacional, com os resultados que se conhecem. Mais do que isso, importa retirar do projecto Constitucional, ensaiado em Abril de 1974, as referências, por ténues que sejam, aos ideais de progresso, igualdade e fraternidade.

A liberdade, essa, fica para depois se, entretanto, nada fizermos para contrariar esta tendência.

É por isso que lutamos e é por essa razão que hoje e sempre gritaremos por Abril!

Opinião

Barcelos Popular
26 de Abr de 2012 0

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