Somos cada vez mais a comemorar o 1º de Maio
O mundo mudou desde o 1º de Maio de Chicago de 1886 e Portugal não ficou na “cauda” e mudou também para pior. Desenganem-se os que julgam que não há motivo, mas a luta inerente ao 1º de Maio, em 2009, está ainda mais necessária.
O Dia do Trabalhador livre em Portugal passados 35 anos, poderá muito bem ser apelidado de “Dia do Desempregado” ou “Dia do Trabalhador Precário”. São essas as condições que, se não abraçam já os portugueses, se lhes afiguraram como o panorama mais evidente nos próximos tempos. Há cada vez mais desempregados.
Muitos que ao fim de uma vida de trabalho vêem as empresas por quem lutaram encerrarem da noite para o dia e outros mais que após uma vida de ensino não vêem perspectivas de futuro. Nas primeiras semanas de Janeiro o desemprego disparou para 8,1% com mais 70 mil desempregados, e só em Março subiu ainda mais 23% comparativamente ao mesmo mês de 2008. São mais 84 mil desempregados a juntar ao perto de 400 mil que já existiam em Portugal. Já não é dificil conhecermos um desempregado na família, ou amigo ou vizinho. Todos “temos alguém” que já passa pelo drama de poder já não ter pão para pôr na mesa.
Só quando procuramos a origem do problema é que não conhecemos ninguém que a saiba explicar. Sabemos, porém, e muito bem o porquê de o país estar afundado. O Governo diz-nos que o mal reside lá fora e que Portugal não está imune aos acontecimentos que se vão dando um pouco por todo o mundo. Mas esconde a verdadeira razão do desemprego. São as reformas de milhares de euros pagas a ex-directores e ex-presidentes de grupos económicos como a CGD, GALP e PT, que funcionam com capitais públicos que não são mais do que o dinheiro tirado aos portugueses, e os salários de milhares de euros pagos a outros tantos actuais gestores e administradores públicos, enquanto que a Segurança Social se afunda num buraco orçamental que poderá já não dar para pagar aos próximos desempregados e reformados.
São as vezes que poderiam impedir que outros grupos económicos privados despeçam quando apresentam lucros de milhões, como no recente “caso Américo Amorim” e que outros possam apresentar insolvências “surpresa” quando ao mesmo tempo se lhes conhecem as grandes vidas dos seus administradores... e nem valer a pena falar de casos como os do BPN e BPP que nos agonizam tanto falar em brincar com o nosso dinheiro como se fosse o Monopoly.
Esquecem-se, isso sim, de que para resolver o problema de quem vive com a ideia de saber que amanhã pode ser o primeiro dia para começar a lutar para comer enquanto que outros lutam por engrossar as suas contas bancárias em off-shores em mais uns milhõezitos, começa por evitar mais daqueles casos.
Mas cabe-nos a nós iniciar a luta que começa nos locais mais próximos de nós. A exigência é que sejam os municípios e as empresas em parceria a unir-se em combate no terreno aos problemas sociais e económicos, estudando e procurando soluções urgentes. A Câmara Municipal deve ser o órgão por excelência em interligar tudo e todos, desde as empresas às associações sindicais e empresariais ao Ministério do Trabalho de forma a encontrar medidas no combate ao desemprego. Todos devem consciencializar-se que se deve pôr de parte as politiquices e a ideia bacoca de que só porque um governo é de “côr” diferente da do poder local, o estar a dar a conhecer a realidade uns aos outros é dar o ouro à outra força política, quando na verdade isso é ajudar a combater o desemprego.
E no patamar nacional é o exigir que o combate se faça à fraude, às negociatas de grupos privados e que haja uma mais justa redestribuição da riqueza, penalizando-se as grandes fortunas pessoais e os lucros elevados das empresas, evitando o sobre-endividamento dos trabalhadores e um aliviar das suas despesas. É preciso continuar a lutar pela obrigatoriedade do contrato colectivo de trabalho e pela dificultação do despedimento, assim como pelo combate aos contratos a termo e aos recibos-verdes, permitindo-se a Segurança Social seja efectiva.
Hoje a luta é sobretudo pela segurança no trabalho, pela qualidade do serviço prestado pelo empregador, por um salário compensador, por um estado de espírito cooperativo entre patrão e empregado que aumente a solidariedade de responsabilidades de todos dentro do mesmo grupo de trabalho. Só com todas as entidades a olharem no mesmo sentido é que é possível fazer um futuro mais justo para todos. Só com um trabalho seguro e um salário justo que o acompanhe é possível sair da crise e permitir que todos os portugueses voltem a ser livres e pensadores.
