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Desperdício

OPINIÃO

"Conforme muitos se recordarão, aqui há dez anos, resolveu o Município restaurar a azenha com vista à instalação de uma vacuidade que respondia pelo nome de Museu do Rio".

É exactamente disso que se trata: um incompreensível e pecaminoso desperdício o abandono em que se encontra a velha azenha da ponte e a sua área adjacente. Para quem ainda não foi lá, ou já lá não vai há muito tempo, aconselha-se a visita, onde, tal como pude experimentar, se sentirá coberto pela vergonha e pela raiva. Vergonha, pois uma cidade que possui um lugar como aquele, de uma beleza única, e permite semelhante descuido, envergonha qualquer um dos seus filhos. A raiva, essa é pela indiferença de quem tem poder para alterar este estado de coisas e nada fez, nem faz. Antes, e agora.

Conforme muitos se recordarão, aqui há dez anos, resolveu o Município restaurar a azenha com vista à instalação de uma vacuidade que respondia pelo nome de Museu do Rio. As obras fizeram-se, o dinheiro, nosso, gastou-se, e quanto ao museu, cujo acervo permanece um mistério, levou-o o rio. Se calhar ainda bem, pois aquele lugar devia era ser aproveitado para oferecer à cidade um café debruçado sobre o Cávado, leitura ao som da água que atravessa o açude, um copo de vinho branco enquanto o sol se põe, uma refeição breve ao peregrino que, a caminho de Santiago, passa mesmo ali à porta. E tudo isto seria possível com pouco dinheiro, pois o mais difícil já está feito: o rio, as suas margens, a ponte, a vista de Barcelinhos (e se apagarem as luzes verdes do quartel ainda melhor…), aquele poente. O que falta é pouco: umas plataformas de ferro e madeira sobre o plano de água, a reconstrução do engenho (o som da roda seria a banda sonora perfeita para aquele momento…), a adaptação da construção existente às novas funções (agora sem esquecer as instalações sanitárias, claro…), enfim, tudo coisas menores quando comparadas com o benefício que a todos traria.

Mas para isso seria necessário que quem manda tivesse realmente vontade de transformar Barcelos num sítio onde fosse bom viver, coisa que, pelo que até agora nos foi dado a ver, levanta as maiores dúvidas.

Opinião

Barcelos Popular
24 de Fev de 2011 0

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