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Ditador ou democrata!

CRÓNICAS DE BARCELOS ( 21 )

E se mesmo assim alguém ousa violar as regras que impõem, então é vê-los, sob a cobardia da linha telefónica ou do anonimato, ameaçar os "prevaricadores" de verem a sua vida privada exposta nas redes sociais.

Tem sido fértil a História de Portugal recente em casos que exemplificam a contradição entre a teoria e a prática política dos nossos governantes.

Durante quase meio século, antes do 25 de Abril, diziam-nos que a governação era algo só para algumas "pessoas escolhidas, iluminadas e com alto espírito de sacrifício" que, de forma abnegada, davam o seu melhor por Portugal. Por isso eram os mesmos magnânimos com os súbditos, a quem permitiam uma vida "limitadamente livre", desde que não questionassem a organização política da Nação e a forma de distribuição e de exercício do poder.

Porém, quem ousasse criticar quem tão abnegadamente assim trabalhava para todos era espoliado da sua vida privada e encarcerado, por tempo indeterminado, só por causa de umas ideias perigosamente revolucionárias, delito de opinião de extrema gravidade, por vezes mortal.

Com o 25 de Abril os governantes passaram a ser eleitos e legitimados pelo voto popular, devendo, supostamente, respeitar a soberania do povo.

Porém, alguns felizmente poucos, continuam a manifestar debilidades ao nível da teorização e prática da democracia e da cidadania. É vê-los arrogantes e cheios de razão, pois nunca se enganam e são donos da verdade, a ditar caminhos que declaram inevitáveis para bem de todos nós.

Embora mostrando tolerância às críticas aos outros, mostram-se incapazes de suportar uma crítica ou uma pergunta sobre os seus comportamentos e opções políticas, muito menos admitem ser sindicados na sua governação.

Se tal acontece determinam logo procedimentos de eliminação dos seus opositores ou então, admitindo que os questionem, antes exigem que as perguntas sejam previamente censuradas pelos muitos assessores que os acompanham para todo o lado.

E se mesmo assim alguém ousa violar as regras que impõem, então é vê-los, sob a cobardia da linha telefónica ou do anonimato, ameaçar os "prevaricadores" de verem a sua vida privada exposta nas redes sociais.

Daí que urge pôr em prática aquela brilhante ideia liberal de que o desemprego abre todo um conjunto de oportunidades. Nada melhor do que votar no sentido de "desempregar da política" aqueles que arrogantemente mostram não ser dignos do voto que antes neles foi depositado.

É que, depois de "desempregados" dos cargos políticos, abre-se a oportunidade de aprenderem que em democracia é o povo quem exerce a soberania e que devem respeito pelos elementares princípios da igualdade de direitos, liberdade de expressão e de opinião, bem como pela legalidade.

Opinião

Barcelos Popular
06 de Jun de 2012 0

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