
Entre a incapacidade e a ausência
Depois de uma derrota eleitoral expressiva, que ex...
"Mas ao que parece, não é assim que pensa a actual governação municipal, optando por ir divulgando às pingas o relatório da auditora, enquanto vai insinuando a existência de irregularidades sem especificar quais..."
Após a surpreendente vitória nas últimas eleições autárquicas, entendeu a nova Câmara, e bem, mandar verificar as contas do Município através de uma auditoria externa. Até aqui nada de censurável há a apontar, compreendendo-se com facilidade que quem toma o leme do navio queira estar avisado do mar que tem pela frente, procurando assim evitar surpresas desagradáveis durante os quatro anos que dura a viagem autárquica, ainda por cima quando a nau é a Câmara de Barcelos, onde a prática de décadas é pródiga em exemplos de duvidosa virtude. Esteve portanto muito bem quem ordenou a inspecção às contas municipais, as quais, convém nunca esquecer, constituem dinheiro nosso.
Porém, como em tantas outras coisas da vida, não há bela sem senão. E neste caso, o senão é graúdo. Senão, vejamos: Concluída a auditoria, esperava-se o anúncio imediato do seu resultado, sem reservas, doesse a quem doesse. Qualquer outro procedimento é incompreensível, pois constitui direito inalienável de todos, munícipes e antigos dirigentes municipais, conhecer as conclusões dessa investigação. Os primeiros, porque se trata de dinheiro seu, os segundos, porque têm direito à sua defesa, pois encontram-se "sob suspeita" desde o momento em que se iniciou todo este processo, condição que, por respeito ao seu bom nome, e à presunção da sua inocência, deveria ser o mais breve possível.
Mas ao que parece, não é assim que pensa a actual governação municipal, optando por ir divulgando às pingas o relatório da auditora, enquanto vai insinuando a existência de irregularidades sem especificar quais, deixando à tutela (partidária?...) a incumbência de escolher o momento em que toda a verdade será revelada. É um procedimento eticamente inaceitável esse de guardar informação contra quem for para usar em momento que se afigure mais conveniente, deixando que até lá recaia sobre os visados o manto da suspeita, e que nós, os munícipes, fiquemos sem saber o que realmente se passa com a contabilidade municipal. É que, para além de ser dinheiro nosso, fomos nós que pagamos a tal auditoria, motivo mais do que suficiente para que exijamos saber o seu resultado.
Conforme o processo está a ser conduzido, só se pode esperar que mais uma pá de cal seja lançada sobre a nobreza do exercício das funções políticas.
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