
É urgente Abril
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Ninguém poderá negar que, quando comparado com os concelhos limítrofes, tidos até há alguns anos como menos desenvolvidos que o nosso, Barcelos vai ficando, ano após ano, cada vez mais para trás.
Depois de mais de trinta anos de governação PSD, dos quais vinte sem que se conhecesse outro líder, a que se somam três de responsabilidade socialista, é compreensível o desapontamento de todos quantos gostam de Barcelos. Ninguém poderá negar que, quando comparado com os concelhos limítrofes, tidos até há alguns anos como menos desenvolvidos que o nosso, Barcelos vai ficando, ano após ano, cada vez mais para trás. Fosse esta avaliação uma questão de opinião, tão falível quanto qualquer outra, e poderíamos dormir mais descansados. Mas não. Trata-se de uma constatação de facto, que nem a propaganda encomendada pela municipalidade, e paga a peso de ouro por todos nós, conseguirá alguma vez escamotear.
O descontentamento, melhor, o desencantamento, das pessoas face àquele que tem sido o comportamento dos partidos políticos que tradicionalmente ocupam as cadeiras do poder, local e nacional, é, a cada dia que passa, mais evidente. Foram anos de governação desastrosa e irresponsável que nos trouxeram até aqui, onde, entre tantas e tantas malfeitorias, se desbarataram rios de dinheiro em obras públicas absolutamente inúteis, de que a nossa Fonte Cibernética é perfeito exemplo dos desmandos autárquicos, a par dos estádios do Euro 2004, se quisermos encontrar ilustração para os desvarios do poder de Lisboa. Se associarmos a esta absurda política de obras públicas a partidarização da máquina do Estado, da qual vão brotando hordas de nomeados políticos, assessores, e outros chupistas do erário público, então está formada aquilo que, em linguagem meteorológica, se costuma chamar "tempestade perfeita": factores diversos que, uma vez associados, causam a devastação. E é assim mesmo que Portugal está: devastado. Económica e moralmente.
É natural que perante este cenário se verifique o afastamento das pessoas relativamente à política e aos políticos, cavando-se um fosso cada vez mais profundo entre eleitores e eleitos, que é como quem diz, entre representantes e representados.
Perante tão fraco desempenho dos partidos políticos, o aparecimento de organizações e movimentos cívicos formados por gente proveniente das mais diversas origens surge como consequência natural deste processo de degradação e erosão das estruturas políticas convencionais. Entre nós este fenómeno materializou-se no MIB - Movimento Independente Por Barcelos. O recente anúncio da sua candidatura às próximas eleições autárquicas é, inquestionavelmente, uma lufada de ar fresco no panorama político local.
Quando voltarem a ser chamados a escolher a próxima câmara municipal, os barcelenses não serão confrontados apenas com os mesmos de sempre: para além destes, a quem Barcelos nada deve, há agora mais uma opção.
E ainda bem.
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