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A Prudência

OPINIÃO

"Um dos maiores inimigos da prudência é a arrogância. Assim o explicou Aristóteles: "Os vaidosos são ignorantes e não se conhecem a si mesmos...".

Neste natal ofereceram-me um livro interessante, de Javier Fernandez Aguado, que fala dos empreendedores, e que dá 1001 conselhos para vencer.

Num momento em que vivemos uma verdadeira crise de identidade como país e sociedade livre, num momento em que as pessoas já percebem que este modelo de desenvolvimento e de gestão dos últimos 20 anos se esgotou, gostaria de ajudar a que se percebam algumas coisas estratégicas.

Vou assim iniciar uma serie de artigos com base neste livro, expondo e reproduzindo na integra alguns destes tópicos que o livro apresenta e que me parecem muito adequados à reflexão. São tão directos e perceptíveis que entram directamente na mente.

Este primeiro artigo versa sobre a… PRUDÊNCIA.

793. Homem prudente é aquele que é a imagem de si próprio, que sabe onde vai, que tem pontos de referência consolidados.

796. O termo prudência deriva etimologicamente de procul videre (ver longe, divisar a verdade). Isto devia ser função de todos.

799. A prudência tem a ver com o que pode ser de outra maneira. E, portanto, com aquelas realidades que admitem uma pluralidade de visões. Quem é prudente sabe colocar cada coisa no seu lugar, com o ângulo de visão mais completo possível, sem precipitações.

800. Um dos maiores inimigos da prudência é a arrogância. Assim o explicou Aristóteles: "Os vaidosos são ignorantes e não se conhecem a si mesmos, e isto é evidente; com efeito, sem serem dignos disso, iniciam tarefas honrosas e depois desempenham um mau papel. Enfeitam-se com roupas, adereços e outras coisas e querem que os êxitos que a sorte lhes traz sejam conhecidos por todos e que falem deles para serem por eles honrados."

805. A prudência pressupõe uma objectividade perspicaz perante o inesperado, que afaste todo o tipo de rigidez. A flexibilidade própria das decisões de quem é prudente resulta da sabedoria. Oposta a ela, ergue-se a inflexibilidade do inseguro.

806. O empreendedor prudente procura o conselho de pessoas intelectual e fundamentalmente correctas, cujo ponto de vista não será banal e/ou interesseiro. A selecção de assessores e/ou consultores é uma primeira demonstração de prudência.

807. O tolo rodeia-se de tolinhos que não o contrariam, que aprovam o que quer que faça, bom ou mau. É imprudente.

814. O autoritário é um egocêntrico, imaturo e imprudente, incapaz de reconhecer os valores que se encontram presentes na vida daqueles com que trabalha. Quem manda assim é caprichoso: esquece-se de que a lei é essencialmente racional. E que a boa vontade das pessoas se ganha com apreço, não com desplantes.

818. O próprio desejo de ser prudente já é uma manifestação de prudência.

Quando vemos friamente conselhos destes percebemos muito do que nos rodeia e somos capazes de ambicionar as devidas correcções que levem a que se alcancem os objectivos que todos vemos como possíveis de alcançar, mas que por falta de homens prudentes vemos desperdiçar o capital de confiança e os recursos.

Não é fácil ser prudente, ter a têmpera suficiente para ver longe e divisar a verdade, aguentando as pressões de imaturos e irresponsáveis. Mas urge que cada pessoa quando exerça as suas funções individuais e colectivas tenha a percepção de que se acabam os tempos dos imprudentes. A crise é péssima porque dói e magoa as pessoas, as famílias e as empresas. Mas a crise é também conselheira de novas atitudes que são urgente tomarem-se. Haja coragem para ir em frente.

Opinião

Barcelos Popular
27 de Jan de 2011 0

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