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Então, e o PDM?

OPINIÃO

Eis-nos em 2012, a dois anos de se completarem vinte sobre a publicação do nosso PDM, a um do final do actual mandato autárquico, e, quando já nos deveríamos estar a preparar para a segunda revisão do plano, ainda não conhecemos a primeira.

Durante o último mandato autárquico, do qual, apesar de tudo, ainda não se sente saudade, por diversas vezes se ouviram vozes de protestos sobre o atraso na publicação da revisão do Plano Director Municipal (PDM). Se se pensar na importância que este instrumento urbanístico tem para o futuro do concelho, é mais do que razoável a inquietação que a demora na sua publicação então provocava. Mais do que inquietação, pairava nos espíritos o incómodo sentir de que tanto atraso só se justificaria pelos "cozinhados" e outras inconfessáveis negociatas, tão ao gosto do lusitano poder local. Mais incompreensível se tornava a demora, sabendo-se que, segundo a lei, estes planos devem ser revistos de dez em dez anos, o que, no caso de Barcelos, implicaria que a sua revisão estivesse concluída em 2004. E assim fomos vivendo, até que, fartos dessa governação, os eleitores resolveram-se, por estas, e por outras, a mudar. Para melhor, pensava-se então, até porque para pior afigurava-se difícil…

Eis-nos em 2012, a dois anos de se completarem vinte sobre a publicação do nosso PDM, a um do final do actual mandato autárquico, e, quando já nos deveríamos estar a preparar para a segunda revisão do plano, ainda não conhecemos a primeira. E sobre esse assunto, o que se sabe, o que se diz? Nada. Zero. Nem uma palavra. Ou seja, também aqui, o que estava mal, assim continuou, com a agravante do tempo entretanto passado. E ele nestas coisas costuma ser implacável: as oportunidades perdidas são-no para sempre, as quais, sob a forma de financiamentos comunitários, ou outros quaisquer programas de desenvolvimento económico e social, têm passado por Barcelos como raposa por vinha vindimada… Quem não for capaz de encetar em tempo útil uma revisão séria da carta magna concelhia que é o PDM, limitar-se-á ao triste papel de espectador do progresso dos concelhos vizinhos, ante a estagnação do seu. Isto para além de se expor às justificadas desconfianças de que os seus antecessores já haviam sido alvo…

Contrariar esta tendência de há tanto tempo seria defender Barcelos. Apregoar a renúncia a um contrato que se aceitou dirimir segundo os seus próprios termos, e ainda por cima sem recurso, é outra coisa.

P.S. Acaba de ser publicada na edição electrónica deste jornal a notícia de que o executivo municipal levou a votação em sessão de câmara uma proposta sobre a reforma administrativa do concelho, através da qual recomenda à Assembleia Municipal que nada faça quanto à apresentação de uma proposta sobre o assunto, conforme é sua obrigação, insistindo na estapafúrdia ideia de manter as actuais 89 juntas de freguesia. Eis mais um momento revelador da cepa dos nossos governantes: Perante a aproximação da inevitável aplicação da lei que consagra a reforma administrativa, oportunidade ímpar para o desenvolvimento do nosso concelho, que fazem estes senhores? Nada. Demitem-se das suas obrigações, preferindo o calculismo eleitoral, numa evidente demonstração de vassalagem aos pequenos interesses que aqui há tempo se reuniram no Largo da Porta Nova. Pior do que isto, só mesmo a proposta ter sido aprovada. E por unanimidade.

Barcelos, 16 de Junho de 2012

joaobarretofaria@gmail.com

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Barcelos Popular
21 de Jun de 2012 0

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