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As árvores morrem de pé

EDITORIAL

O que é preciso é que a sanha economicista que nos invadiu a vida não se sobreponha à afectividade, ao património e à memória dos povos.

A Câmara decidiu abater o carvalho centenário que é um dos ex-líbris de Barcelinhos e cuja importância patrimonial é referida, desde tempos remotos, por muitos autores que estudaram a história do núcleo urbano da outra margem do rio Cávado.

A somar a essa distinção histórica, é o momento de recordar que o exemplar faz parte da paisagem da beira-rio, por onde se estende o casario e o património edificado local como são a ponte medieval e a Capela de Nossa Senhora da Ponte.

Esta vetusta espécie é um dos exemplares que faz parte das memórias das gentes de todo o concelho. Subtraí-la à vida dos barcelenses e, em particular, dos barcelinenses é um erro histórico.

A autarquia fundamenta o abate num estudo fitossanitário que determinou que o carvalho se encontra muito degradado e que, por essa razão, tornou-se um risco para a segurança das pessoas que por ali passam.

Há árvores que valem tanto pelo que representam para a memória das comunidades e para a paisagem, que nenhum estudo fitossanitário lhes pode arrancar a vida. Há sempre um tempo para sobreviver e para lutar pela vida. Há sempre uma solução para a segurança das pessoas. O que é preciso é que se estude e se invista nesse objectivo. E todos sabem, muito melhor do que os técnicos que ditaram a sentença de morte ao carvalho de Barcelinhos, que há formas de ajudar as árvores a morrerem de pé.

O que é preciso é que a sanha economicista que nos invadiu a vida não se sobreponha à afectividade, ao património e à memória dos povos.

As árvores que merecem morrem sempre de pé.

Opinião

Barcelos Popular
22 de Jun de 2011 0

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