
É urgente Abril
É cada vez mais urgente falar e comemorar o 25 de ...
Tinha o dom, raro, de falar de forma simples das coisas complexas. Também com humor.
Há coisa de um ano o Miguel esteve em Barcelos para participar num ciclo de conferências promovido pela ACIB. Com o salão dos Bombeiros cheio e no seu habitual tom coloquial e pedagógico, falou da crise do euro e da Europa. Tinha o dom, raro, de falar de forma simples das coisas complexas. Também com humor. A sua preocupação é que todos pudessem entender, porque as coisas complexas fazem parte da vida, do quotidiano, das pessoas comuns. Abordava a política sempre na perspetiva de que a política não é um problema de alguns, de uma pretensa elite. Costumava dizer-nos que "se nós não tratarmos da política, a política tratará de nós", num vincado apelo à participação de todos na coisa pública, fosse ao nível europeu, nacional ou local.
Nessa altura a doença já o tinha atacado. Mas não desistiu do seu trabalho, apesar do sofrimento que podemos imaginar, sempre bem disposto, afável e com um sorriso que lhe deve ter ficado da adolescência. No Parlamento Europeu, enquanto se submetia aos tratamentos, mantinha uma elevada e reconhecida participação. Na última campanha eleitoral para as Legislativas, fez questão de participar no comício em Braga, na Avenida Central, com entusiasmo, solidário, transmitindo toda a sua força num momento de grandes dificuldades.
Há cerca de dois meses jantámos juntos pela última vez, ali perto da Sé, em Braga. Fomos a pé, devagar, conversando, até à Casa dos Crivos, onde ele, mais uma vez, ia falar sobre a Europa, a crise e como até aqui tínhamos chegado. Com a sua habitual clareza e empatia.
Já não nos encontrávamos com a mesma frequência com que o fazíamos antes de ele ter ido para o Parlamento Europeu. Habituei-me, nos últimos anos, a que o Miguel andasse algures entre Bruxelas, o Mediterrâneo ou o norte da Europa e que, mais dia, menos dia sempre nos encontrávamos de novo, para uma iniciativa política, para uma simples conversa, para um encontro com amigos e camaradas, em Barcelos, Braga, Lisboa ou numa outra qualquer cidade. Tinha sido assim mais mês, menos mês nos últimos anos. E esta ideia ainda não me saiu da cabeça. O Miguel fazia hoje, 1º de Maio, 54 anos.
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