
A cidade sem maestro
Raramente Barcelos viveu, numa única noite, uma ag...
Se bem me lembro, quando aprovámos o primeiro Estatuto Editorial do “Barcelos Popular”, em 1 de Outubro de 1976 (cerca de um mês antes de darmos ao prelo) uma das grandes preocupações dos fundadores desta aventura era conquistar a credibilidade dos barcelenses sem, contudo, abdicar do alinhamento vincado pelas causas sociais e fracturantes que já então defendíamos.
A tarefa não se adivinhava fácil. Afinal, a maioria de nós era ainda muito jovem (eu, que era o mais novo, tinha tão só vinte e um anos) e a sociedade local, hoje como ontem, sofria desse provincianismo ancestral que vê a juventude como irresponsável e incapaz de levar avante projectos sérios e com continuidade.
O “Barcelos Popular”, como se tem visto, é a prova provada de que essa forma de pensar é um erro de palmatória e continua a afirmar-se como um dos maiores semanários da imprensa local, apesar de continuar a ser feito, maioritariamente, por gente nova.
Não é já o meu caso, naturalmente, mas os “Velhos do Restelo” que nos davam seis meses de vida porque teríamos falta de maturidade – e isso, na opinião deles, seria sinónimo de falta de qualidade – esqueceram-se que também eles foram novos e que foi por isso mesmo, pela irreverência que sempre esteve associada a este projecto que me orgulho de liderar que soubemos conquistar a credibilidade que hoje ninguém terá coragem de questionar.
O resultado está à vista. O “Barcelos Popular” cresce enquanto os outros – os intelectuais do toutiço – vão abanando as orelhas conforme o vento lhes corre ou não de feição.
Nós, felizmente, nunca precisámos disso. E é por essa razão que crescemos sem a ajuda de um deus menor que vai e vem conforme a maré dos tempos.
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