
É urgente Abril
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Também não é com o arremessar de ovos ou de palavras que revelam má educação e intolerância por quem pensa de maneira diferente que se adquire uma melhor qualidade de vida democrática e de cidadania.
O registo de mais de 41% de abstenção, nas eleições legislativas do passado dia 5 de Junho, deverá merecer uma séria reflexão a todos nós.
Numa primeira análise, sem esquecer que será urgente uma actualização dos cadernos eleitorais, tal significa que quase metade dos portugueses, pois àqueles 41º % é preciso somar os votos brancos e nulos, se alheou do seu futuro e deixou aos outros a escolha que a todos afecta.
Em primeiro lugar os partidos políticos terão que assumir a principal responsabilidade por este cenário, que reflecte algum desencanto e o afunilamento da participação política através das estruturas partidárias, já que só ao nível autárquico são admitidas candidaturas independentes.
Sendo compreensível a opção política e que da pulverização de candidaturas independentes nas legislativas resultaria um parlamento instável e um País ingovernável, é urgente encontrar formas que motivem os cidadãos a participar nas escolhas políticas.
Aliás, esta questão já se tinha feito sentir em anteriores eleições, designadamente na eleição do Presidente da República, em que só cerca de 24% dos eleitores inscritos votaram no candidato eleito.
Ao contrário do que foi já afirmado por responsáveis políticos, é claro que quem se abstem continua a ter os mesmos direitos, designadamente de crítica, que os demais.
É também inquestionável que os partidos políticos são essenciais para a democracia e que não é possível pensar um sistema democrático sem estes.
Contudo, é urgente que se comece nas escolas a preparar os jovens para a cidadania e para o exercício desta em pleno. Mas sendo o voto a "arma do povo" é também necessário entender as ansiedades e razões daqueles que abdicam do exercício desse mesmo direito.
Também não é com o arremessar de ovos ou de palavras que revelam má educação e intolerância por quem pensa de maneira diferente que se adquire uma melhor qualidade de vida democrática e de cidadania.
Muito menos o País sairá da crise acirrando ódios regionais ou de qualquer outra natureza. De qualquer modo, os responsáveis políticos deverão sempre ter a humildade de ler os resultados eleitorais, para perceberem a mensagem que o Povo lhes quis transmitir.
Se forem cegos e surdos para com essas mensagens não podem esperar vitórias eleitorais. E estas, porque são sempre efémeras, só têm sentido se permitirem pôr em prática políticas de desenvolvimento e de bem estar. O Povo nunca aceitará que as vitórias sejam somente transformadas em mudanças de actores ou para pagamentos de favores.
O Povo nunca se engana e sabe sempre o que não quer, embora às vezes possa ser enganado no que poderá querer, mas só temporariamente.
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