
É urgente Abril
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Editorial sobre o 38º aniversário do Barcelos Popular.
A crise mundial de 2008, como é sabido, mergulhou Portugal numa profunda recessão económica sem fim à vista e gerou dois movimentos de sentido oposto que, não sendo propriamente novos, ainda assim surpreendem pela facilidade com que se afirmaram à vista de todos e sem oposição de monta.
Na realidade, não há memória de uma crise no sistema capitalista que não fosse acompanhada, por um lado pelo empobrecimento generalizado da população, e por outro, pelo crescimento desmesurado das grandes fortunas e até do número de novos ricos. O que surpreende, portanto, não é tanto o fenómeno, mas a passividade colectiva, agora que a sociedade da informação se globalizou e levou, em tempo real e ao espaço privado de cada um, notícias da irracionalidade do capitalismo e das suas crises estruturais.
Estas crises, contudo, não se limitam apenas aos desequilíbrios económicos que lhe estão na base. Desencadeiam, por osmose, profundas crises de valores. Acentuam relações de promiscuidade entre poderes públicos e interesses privados. Descobrem as teias de corrupção que antes, por pudor, se tentavam esconder.
Resistir a estas tentações não é tarefa fácil. É muito mais cómodo pedir e aceitar benesses, ou comprar e extorquir fidelidades. E mais ainda, como bastas vezes acontece, quando para esse exercício de compra e venda se dá e se recebe o que é público. De todos.
Por isso, e hoje quiçá mais do que nunca, denunciar a utilização de exorbitantes meios financeiros furtados à res publica para comprar prendas embrulhadas em papel vistoso é uma tarefa sanitária, de natureza profiláctica. Ou não fosse essa utilização, em si mesma, uma excrescência nauseabunda da crise, da ausência de escrúpulos e da falta de valores.
Ora, mostrar os desequilíbrios provocados pela crise, expor publicamente a miséria que não se vê, que se esconde por vergonha, ou denunciar os sucedâneos dos patos bravos e dos vendilhões do templo, tem sido uma tarefa de sempre do Barcelos Popular. E não temos fugido a esse compromisso, ao longo dos 38 anos de existência que cumprimos na passada terça-feira. Só por essa razão, estaríamos de parabéns. Nós e todos os que nos antecederam nesse propósito. Mas como é por isso que cá estamos e resistimos, agradecemos mais os que recebemos dos nossos leitores. Mesmo que isso cause engulho aos de génio exaltado.
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