
A cidade sem maestro
Raramente Barcelos viveu, numa única noite, uma ag...
Mas nestas eleições nem isso se provou em toda a sua plenitude: o PSD/CDS teve uma votação inesperada que não confirma de todo esse voto de protesto.
A política tem coisas que não se explicam e mal se compreendem à luz da participação dos cidadãos no futuro do país.
Um voto é um voto e por detrás dele deveria estar um ser pensante, uma vontade, uma ideia de país ou de governo. Mas já conclui (há muito tempo, claro) que não é bem assim. Muitos eleitores votam segundo as suas conveniências pessoais (porque lhe cortaram o salário, a pensão ou subiram os impostos, por exemplo). Essa atitude não deixa de ser legítima, mas é egoísta, redutora e confunde o princípio do valor do voto e da participação democrática na sociedade. Mas nestas eleições nem isso se provou em toda a sua plenitude: o PSD/CDS teve uma votação inesperada que não confirma de todo esse voto de protesto.
Quem assistiu ao longo destes dois últimos anos às sucessivas manifestações contra o Governo, aos protestos à porta dos ministérios, à insatisfação dos funcionários públicos, reformados e aposentados, à ideia concluída de que é preciso mudar de rumo, fica estupefacto com a votação na Direita. Afinal vimos todos mal: quase 30% do eleitorado não está insatisfeito; 30% do eleitorado concorda com a política de destruição da economia e com os níveis de desemprego; 30% do eleitorado pretendia a Troika; 30% do eleitorado concorda com a corrupção e o desaparecimento do Estado Social que ajuda os mais necessitados.
Claro que há sempre os indefetíveis, aqueles que não mudam de religião por ser pecado, mas as conjunturas mudam e seria natural que as pessoas assumissem atitudes de acordo com elas.
Mas a estranheza dos factos ainda é maior em Barcelos e no interior do país, que tem sido vítima incontestada da política de desertificação que este Governo tem votado as populações. É que em Barcelos e a maioria desses concelhos votou na Coligação, dando parecer positivo a tudo o que os partidos que constituem o Governo tem feito.
Podem-me dizer que muitos não se reviram no PS e votaram em Marinho Pinto, por exemplo. Mais uma coisa estranha na política! Quem é, politicamente, Marinho Pinto? O que é que o causídico vai decidir para o nosso futuro? Que políticas tem para resolver a crise? Marinho Pinto é um fenómeno mediático – mais nada. Se nunca tivesse aparecido nas televisões em programas de debate, ninguém o conheceria e, certamente não teriam votado no ex-bastonário da Ordem dos Advogados. Neste caso, os eleitores não escolheram políticas, mas a imagem de um homem que tem um discurso populista e que transmite firmeza e coragem na sua forma de estar na vida. Mas isso não chega. O futuro da Europa e de Portugal faz-se com projetos colectivos e não mediáticos personalizados numa só pessoas.
Por isso a Política tem coisas que não se explicam.
0

Raramente Barcelos viveu, numa única noite, uma ag...

Nunca se produziu tanta riqueza no mundo. Nunca ho...

Existe um padrão inquietante na gestão municipal d...

Muitas das decisões que irão marcar Barcelos daqui...