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A opinião de Rui Pedro Faria sobre a instalação de uma linha eléctrica de Muito Alta Tensão que atravessa o concelho de Barcelos.
A Rede Eléctrica Nacional (REN) prepara-se para perpetrar um verdadeiro atentado no concelho de Barcelos, com consequências previsivelmente nefastas e duradouras.
Em causa está a instalação de uma linha eléctrica de Muito Alta Tensão (MAT) desde Fontefria, na Galiza, Espanha, até à fronteira portuguesa, com o seu prolongamento à rede eléctrica nacional, operada pela REN. Em Portugal, a linha de MAT, uma das mais potentes em território português (400kv), atravessará oito dos dez concelhos do distrito de Viana do Castelo e ainda Vila Nova de Famalicão e Barcelos, Vila do Conde e Póvoa de Varzim. Barcelos será o concelho mais atingido, com quase todas as freguesias a serem afectadas. Os fios atravessarão o concelho, de norte a sul, e serão construídas várias torres/postes de 75 metros de altura com uma área de implantação de 200 metros quadrados e margens de segurança de 45 metros para cada lado.
Além da desvalorização do património edificado e da desfiguração do património natural, as populações enfrentam ainda riscos de saúde. Ainda que tal seja desvalorizado pela maioria da comunidade científica, alguns estudos internacionais apontam para um aumento de incidência de doença oncológica em populações expostas de forma prolongada aos campos electromagnéticos das linhas de MAT.
Assumindo como necessária a estrutura a instalar, haveria sempre uma forma de atenuar os danos: o enterramento da linha, solução que a REN não equaciona porque representa custos acrescidos. Mas a REN bem pode acomodar esse incremento de custos. A empresa, criminosamente privatizada pelo Governo PSD/CDS-PP, teve lucros de 113 milhões de euros em 2014. E no primeiro trimestre deste ano registou um aumento de 50% de resultados líquidos em relação ao período homólogo de 2014. Optar pelo enterramento da linha é uma questão de responsabilidade social e ambiental da empresa. E, já agora, de vontade política, porque o Governo terá sempre uma palavra a dizer. Embora, entre os interesses das grandes empresas e os dos cidadãos, é sabido para onde costuma pender a balança.
Até ao momento, a contestação ao traçado proposto pela REN tem estado restrita à diplomacia dos gabinetes. O Presidente da Câmara, e também representantes dos partidos na Assembleia Municipal, reuniram com o Governo e procuram, sem grande esperança de sucesso, uma solução menos penalizadora dos interesses dos barcelenses.
Como escreveu Karl Kraus, "a diplomacia é uma partida de xadrez em que os povos levam xeque-mate." Caso, como é previsível, a REN queira impor a sua proposta de traçado da linha de MAT em Barcelos, os barcelenses, legitimamente, terão de fazer ouvir a sua voz e impedir, por todos os meios, que o seu património seja desvalorizado em benefício da remuneração choruda dos accionistas da REN.
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