
É urgente Abril
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Esta manifestação de realpolitik foi determinante, não só nas freguesias, mas também nas eleições para a Câmara e para a Assembleia Municipal que, muito por arrasto do voto na base da pirâmide autárquica, veio a contribuir para uma vitória retumbante
A hecatombe sofrida pelo PSD nas eleições do passado Domingo, em praticamente todo o concelho, e em todas as autarquias a que concorria (Assembleias de Freguesia, Câmara e Assembleia Municipal) vai condicionar seriamente o partido nos próximos anos, mais nas Juntas de Freguesia do que na Câmara, porque ali, nas Juntas, os estragos terão sido ainda mais contundentes do que no sufrágio para o executivo municipal.
Os sociais-democratas poderão alegar, em alguns casos, que esse fenómeno se deve em maior ou menor medida à concorrência do MIB, que porventura lhes terá tirado eleitores e Juntas, mas isso não explica tudo. A verdade é que muitas das listas foram constituídas por gente sem notoriedade nas freguesias e até, como no caso de Gilmonde, encabeçadas por pessoas estranhas à terra. De mais a mais, o PSD nunca conseguiu contrariar o efeito do aumento das transferências de verbas para as freguesias que o executivo do PS implementou, mesmo entre os seus próprios autarcas. E, por fim, deu-se muito mal com a transmissão de testemunho, na hora de substituir presidentes de Junta que tinham atingido o limite de mandatos.
Os socialistas, esses, para além da vantagem que o poder municipal lhes conferia, souberam interpretar melhor a nova realidade saída da redução do número de freguesias e da mudança de protagonistas, pescando candidatos entre o adversário quando isso lhes era favorável, ainda que à custa do sacrifício de militantes históricos.
Esta manifestação de realpolitik foi determinante, não só nas freguesias, mas também nas eleições para a Câmara e para a Assembleia Municipal que, muito por arrasto do voto na base da pirâmide autárquica, veio a contribuir para uma vitória retumbante de mais de oito mil votos no topo.
O fim do período de domínio do PSD no concelho, que começou há quatro anos quando os socialistas conquistaram a Câmara, e se acentuou agora com a profunda alteração da cor do mapa político barcelense ao nível das freguesias, só ainda não é total porque não se sabe até que ponto este resultado terá efeitos em eleições nacionais, mas determina, isso sim e desde já, o termo de um ciclo de governação que tinha o epicentro em torno de Fernando Reis e da sua entourage e que só não acabou antes por teimosia ou necessidade de revanche.
Da mesma forma, termina também o ciclo de vida de Manuel Marinho na política barcelense. Apostando tudo na possibilidade de vir a servir de fiel da balança se o PS não conseguisse a maioria absoluta, o ex-vereador do PSD liquidou todas as esperanças de sobrevivência do MIB, na tempestuosa noite do passado Domingo apesar de ter conseguido ser eleito para o executivo municipal. De resto, Marinho dificilmente concluirá o mandato. Será até o melhor que tem a fazer porque o seu afastamento do concelho se avolumará por mais quatro anos, com prejuízos evidentes para o exercício de fiscalização que se exige aos vereadores da oposição.
Finalmente, esta mudança de ciclo aplica-se outrossim ao PS. A maioria conquistada na Câmara e na Assembleia e o domínio em 60% das Juntas de Freguesia, se ultrapassou em muito as expectativas mais optimistas, também envolve responsabilidades acrescidas. Os socialistas não têm agora nenhum obstáculo à sua governação. O futuro dirá se conseguirão, ou não, corresponder ao voto de confiança que receberam do eleitorado.
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