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Instabilidade eleitoral

EDITORIAL

E isso é sempre uma boa notícia para a democracia, particularmente nesta conjuntura de alheamento da coisa pública e depois de concluída uma campanha eleitoral que tem evidenciado o que de pior há na política: o jogo rasteiro, a calúnia...

As eleições autárquicas do próximo domingo, para além das particularidades relacionadas com a proximidade entre eleitos e eleitores que lhes são peculiares, serão decerto marcadas por factores de instabilidade únicos, nomeadamente os que advêm da limitação de mandatos que obriga à substituição de muitos presidentes de Junta, os que resultam do novo desenho das circunscrições eleitorais, fruto do agrupamento de freguesias, e os que ocorrem do impacto não quantificável da crescente emigração de jovens com qualificação acima da média. No concelho de Barcelos, a estes três fenómenos de âmbito nacional há que juntar ainda o aparecimento do MIB, movimento independente capaz de roubar lugares no executivo municipal ao PS e ao PSD e o aparecimento de uma coligação inédita entre o PSD, o CDS/PP e o PPM.

Alguns destes factores de instabilidade poderão vir a ter repercussões na correlação de forças entre os partidos com representação na Assembleia Municipal (AM), prejudicando sobretudo os partidos ou coligações que têm menor representação parlamentar porque haverá uma diminuição substancial de mandatos (dos actuais 179 a AM de Barcelos passará a contar com 123 deputados a partir do próximo domingo); alterarão em número difícil de antever essa correlação de forças nas freguesias que agora são forçadas à união, com prejuízo evidente para as de menor expressão populacional; e, curiosamente, até poderão contribuir para uma diminuição da abstenção (mesmo com menos eleitores presentes ou recenseados) se as candidaturas independentes conseguirem atrair o eleitorado que não se revê no actual quadro partidário.

Perante tudo isto, e com o empate técnico que se adivinha pela sondagem que hoje publicamos, é de admitir que esse nível de abstenção venha de facto a diminuir, tanto mais que na peugada dos partidos que têm governado a Câmara, o MIB ao retirar a maioria absoluta ao partido ou partidos vencedores poderá, também ele, potencializar uma maior afluência às urnas.

E isso é sempre uma boa notícia para a democracia, particularmente nesta conjuntura de alheamento da coisa pública e depois de concluída uma campanha eleitoral que tem evidenciado o que de pior há na política: o jogo rasteiro, a calúnia, o insulto fácil e o recurso à boçalidade, tanto anónima como publicada.

Opinião

Barcelos Popular
26 de Set de 2013 0

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