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O custo da promessa

EDITORIAL

Seja como for, e independentemente da complexidade dos processos é muito dinheiro gasto em advogados em pouco mais de três anos.

Não vamos aqui fazer um levantamento da deriva miserabilista que presidiu ao discurso de Domingos Pereira nos últimos quatro anos quando se referia ao estado das contas municipais, particularmente no que respeitava à hipotética herança ruinosa que lhe teria sido legada pelo anterior executivo de Fernando Reis. Esse exercício já tem sido feito por diversos actores da vida política local e hoje parecem não restar dúvidas que, neste caso específico, o argumentário usado pelo homem que verdadeiramente manda na Câmara não era politicamente sério.

Na realidade, o dinheiro que tem sido gasto pelo município em propaganda, as verbas que têm sido despendidas em muitas manifestações de duvidosa qualidade cultural, as centenas de milhares de euros que estão a ser gastas com o projecto editorial do cabeça de lista do PS à Assembleia Municipal, só por si já configuram uma gestão despesista e pouco rigorosa que não se coaduna com o tal discurso de penúria que nos foi impingido. E que, só para citar um exemplo, serviu para justificar o "apagão" da luz pública em várias freguesias do concelho.

Por outro lado, e sem querer estar a branquear a famigerada entrega a privados da distribuição da água para abastecimento público (que ao longo dos anos fomos denunciando enquanto o PS "dormia"), a verdade é que o executivo socialista prometeu baixar os tarifários em 50% (e com essa promessa terá assegurado a vitória nas últimas autárquicas), mas até agora a única coisa que tem para nos oferecer é uma astronómica factura de mais de um milhão de euros paga a uma sociedade de advogados do Porto.

É verdade que dos 1.082,000,00€ gastos com a tal empresa de advogados "só" 600 mil terão sido gastos directamente com esta questão da água. Os restantes 482 mil dividem-se por "patrocínio judiciário" não especificado ao executivo e à EMEC e pela assessoria na questão da parceria público-privada. Seja como for, e independentemente da complexidade dos processos é muito dinheiro gasto em advogados em pouco mais de três anos. Mais ainda quando se adivinha que a promessa eleitoralista de baixar o preço da água, mesmo que eventualmente a Câmara consiga reverter o contrato (e isso é matéria do onírico), nunca se venha a concretizar.

Posto isto, e na actual conjuntura económica, este dispêndio de dinheiros públicos em honorários pagos a advogados (sejam eles quais forem), para além de irresponsável, revela ainda a impreparação política da equipa de vereadores que Domingos Pereira escolheu para gerir o concelho.

Opinião

Barcelos Popular
05 de Set de 2013 0

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