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Já não há pachorra

EDITORIAL

Um fartote de dinheiro e de deliberações que só podem ter sido aprovadas levianamente, porque ninguém acredita que se consiga discutir com seriedade um tal volume de informação em menos de duas horas.

Confesso que fiquei completamente abismado com o inusitado número de deliberações aprovadas na última reunião de Câmara: 131, no total, e desta, nada mais nada menos do que 68 atribuições de subsídios no valor global de 855 mil euros!

Um fartote de dinheiro e de deliberações que só podem ter sido aprovadas levianamente, porque ninguém acredita que se consiga discutir com seriedade um tal volume de informação em menos de duas horas. Mas, verdade se diga, isso também não era importante para a maioria no executivo. O que verdadeiramente contava – e é bom que se comece a chamar os bois pelo nome – era dar continuidade à boçalidade política iniciada com as inaugurações de última hora, mesmo que as obras ainda não estivessem totalmente concluídas e já contassem mais de quatro anos.

Não há nada de novo, dirão muitos leitores. Afinal, esta prática é comum a quase todas as Câmaras do país e já é recorrente em períodos semelhantes no nosso concelho. A novidade – se disso se trata – está no obsceno número dos 68 subsídios atribuídos que dificilmente será superado pelo mais desassombrado ou atrevido dos autarcas de qualquer quadrante político. Ainda assim, esse número poderá passar a pornográfico se entretanto o executivo vier a realizar mais uma reunião antes do arranque da campanha eleitoral, perspectiva que foi deixada no ar por Domingos Pereira no final da sessão de Câmara quando se dirigiu aos jornalistas.

Temos, pois, razões para ficar preocupados. É o dinheiro dos nossos impostos que está em causa e não podemos ficar impávidos e serenos a assistir a esta errática distribuição de "bodo aos pobres" feita apenas com o fito de cativar apoios e eventuais votos junto de eleitores menos avisados e de presidentes de Junta deslumbrados.

Ao longo destes quase 40 anos de democracia já assisti a muitas manobras deste tipo. E o que é certo é que invariavelmente resultaram. Mas tudo tem um fim. Mais tarde ou mais cedo esta democracia paroquial há-de terminar. Como tudo na vida. Não sei dizer quando, mas espero assistir à falência desta demagogia barata e deste eleitoralismo primário. Porque, confesso, já não tenho pachorra para aturar a prossecução de uma política de campanário que pretende fazer de nós parvos ou destituídos mentais.

De todo o modo vou estar atento. O regabofe ainda vai a meio e daqui até às eleições muita água passará pelo famigerado Museu do Rio, esse sim a precisar de urgente inauguração antes que dali transborde coisa imprópria por falta de equipamentos sanitários.

Opinião

Barcelos Popular
12 de Set de 2013 0

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