A febre das inaugurações
EDITORIAL
A vida tem muitas facetas. Umas vezes queremos tanta coisa e não conseguimos nada. Outras, até nos chegam a casa montes de presentes inesperados.
Por exemplo, não pensava ter uma avenida nova na D. Nuno Álvares Pereira; não esperava um teatro (Gil Vicente) novo; não esperava um Museu de Olaria renovado, nem uma Torre de Menagem ou umas rotundas novinhas em folha. De facto, não esperava tantas “benesses”. Com toda a certeza, que foi fruto do trabalho de alguém, mas até pensávamos que estava mal feito, que se tratava de obras impossíveis de concluir, que não havia dinheiro, que os empreiteiros fossem incompetentes, que o executivo municipal fosse incompetente. Sei lá… Ouvimos tantas justificações ao longo deste mandato autárquico que tudo parecia impossível. Afinal, está tudo direitinho e em Setembro dizem que os presentes inesperados vão chegar-nos a casa em catadupa. Está certo! Afinal este executivo até fez obra.
A política tem destas coisas. Quando elegemos esta câmara julgávamos que teríamos uma forma diferente de fazer política. Mais transparência, Cidadania, não comprar votos como fez o anterior executivo durante três décadas com caminhos, estradas, rotundas, centros sociais, obras de fachada e outras, quase todas nas freguesias para presidente de Junta vencer eleições e com os seus votos ajudar à permanência do seu líder na Câmara Municipal.
Afinal, já não sabemos se algo mudou: também nos dão presentes em troca de votos.
Os barcelenses precisam de saber a verdade. O Gil Vicente não era possível abrir e agora, só porque há eleições já pode? Não havia dinheiro para mandar tocar um cego, porque a câmara anterior deixou os cofres vazios, e agora refazem-se avenidas e distribuem-se cheques à porta da igreja.
Julgávamos que este executivo era diferente, mas afinal ainda está por se saber o que mudou.
