Fechar menu

Ligações espúrias

Nota da Direcção do Barcelos Popular

Nota da Direcção do Barcelos Popular sobre o apoio da Câmara à empresa proprietária do Jornal de Barcelos.

A Câmara assinou recentemente um protocolo com a Barcul, SA, proprietária do Jornal de Barcelos, para a publicação de 25 fascículos de um projecto editorial, onde se compromete a pagar 67.443,75€, acrescidos de IVA, para custear metade do suposto custo da edição do dito projecto editorial. O valor, já de si elevado e inédito em protocolos alguma vez assinados com empresas de comunicação social, poderá, contudo, atingir mais de 240 mil euros (sem IVA!), se entretanto, como tudo indica, o protocolo se prolongar até ao final da execução do projecto.

Não querendo aqui analisar a valia da obra em causa (isso são contas de outro rosário), nem tampouco imolar quem quer que esteja ligado à execução gráfica ou elaboração dos textos que integram o projecto em causa, a verdade é que se levantam sérias dúvidas no âmbito da ética política e no da definição de prioridades nos gastos de dinheiros públicos.

De facto, a ligação espúria estabelecida entre a Câmara e a Barcul, quando Miguel Gomes, num jantar realizado há algum tempo na Bagoeira com três empresários barcelenses, com o propósito único de salvar da falência o referido jornal, já então era susceptível de gerar sérias dúvidas sobre a conduta ético-política do presidente da Câmara.

Essas dúvidas – se é que as havia! – cedo se começaram a dissipar e adensaram-se ainda mais depois de anunciado o cabeça de lista do PS à Assembleia Municipal nas próximas eleições autárquicas, Duarte Nuno Pinto. O mesmo que, à entrada do salão nobre dos Bombeiros Voluntários de Barcelos, relatou ao director do Barcelos Popular, em voz alta, na presença de várias pessoas, e sem pedido de sigilo (refira-se!) a solicitação que lhe foi feita (a ele e aos outros dois empresários) pelo presidente da Câmara na tal conversa da Bagoeira, divulgando mesmo os valores envolvidos no negócio para evitar o encerramento do Jornal de Barcelos.

Ora, sabendo-se que Duarte Nuno Pinto é membro dos órgãos sociais da Barcul, que um sócio seu noutra sociedade (segundo as suas palavras) também é administrador da empresa, e que agora se apresenta como candidato do PS ao mais alto cargo municipal, a atribuição de um subsídio de montante tão elevado não pode deixar de suscitar sérias e pertinentes dúvidas sobre a qualidade ético-política de Miguel Gomes e do putativo candidato do PS à liderança da Assembleia Municipal.

Mas a entrega de mão beijada de centenas de milhares de euros dos cofres do executivo municipal a uma empresa que, repita-se, tem como accionista de referência um candidato do partido do poder (isto se o negócio chegar ao fim, entenda-se!) levanta outras questões de não somenos importância. E a primeira de todas é a de saber se, nos tempos que correm, com o país mergulhado numa crise profunda, com uma recessão sem fim à vista, com milhares de desempregados, com outras tantas pessoas a viverem no limiar da pobreza, será legítimo esbanjar dinheiro num projecto editorial que mesmo em época de "vacas gordas" seria sempre questionável. Na nossa opinião, a obscenidade política é de tal dimensão que dificilmente se conseguirá explicar aos eleitores – mesmo àqueles que estão próximos do Partido Socialista.

Tanto mais que a Câmara extinguiu o programa cultural Subscuta, deixou de realizar o Rali de Barcelos, não chegou a comparticipar os medicamentos aos reformados e não está a cumprir na íntegra a promessa eleitoral de oferta de livros escolares, entre outras medidas de contracção orçamental, porque, segundo diz, não há dinheiro. Pelos vistos, parece que há. As prioridades é que não serão eventualmente as mais pertinentes.

Por outro lado, e até tendo em conta que o Provedor de Justiça criticou recentemente o executivo municipal por proibir funcionários seus de acumularem funções em programas radiofónicos, a Câmara vai ter que explicar muito bem porque não fez o mesmo com o bibliotecário, Victor Pinho, autor de vários textos e responsável editorial do projecto agora financiado. Não temos nada contra isso – pelo contrário, é um direito que lhe assiste – mas nestas coisas não pode haver dois pesos e duas medidas.

A Direcção

P. S. O vereador Domingos Pereira, responsável pelas finanças da Câmara e actor determinante na escolha dos candidatos do partido, veio a terreiro defender a pertinência do sumptuário gasto porque, em sua opinião, era de interesse relevante para o concelho. Esta semana soubemos porquê. Tenha pudor!

Opinião

Barcelos Popular
13 de Jun de 2013 0

Outras artigos

É urgente Abril

É cada vez mais urgente falar e comemorar o 25 de ...

desenvolvido por aznegocios.pt