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E se o 25 de Abril fosse hoje?

EDITORIAL

E se acordássemos desse estádio letárgico e o 25 de Abril fosse hoje?

Trinta e sete anos depois, largas franjas da sociedade portuguesa parecem ter perdido o sentido de que a luta por uma sociedade melhor é um projecto permanente. Instalou-se o desânimo, a inevitabilidade, a ideia de que a responsabilidade e obrigação de exigir os seus direitos cabe apenas aos outros. Muitos parecem ter esquecido os longos anos de lutas e conquistas. Será que o medo adormeceu o país?

E se acordássemos desse estádio letárgico e o 25 de Abril fosse hoje? Tínhamos uma grande tarefa pela frente: teríamos que voltar a reconstruir o Estado Social; as leis laborais que protegiam os trabalhadores; o direito à saúde; uma escola aberta às artes e à intervenção cultural; proceder à renovação dos partidos do arco do poder para voltarem a impor os contratos sociais que fazem com o eleitorado quando ganham eleições para obrigá-los a cumprir as promessas; voltar a ter uma imprensa que não dependa dos grupos económicos; lembrar que não seria preciso a caridade se voltássemos a encher as empresas de trabalhadores com o renascimento do crédito bancário e o apoio do Estado; a dizer ao Governo que não são precisos tantos impostos para afundar a economia e estragar a vida das pessoas e, pelo menos, erguer, de novo, o bastião do combate ao Capitalismo Selvagem que separa os pobres dos ricos nesta sociedade cada vez mais comandada por meia dúzia de famílias e os agiotas do FMI.

Mas se o 25 de Abril fosse hoje, constatávamos que nem tudo mudou. Nem todos se deixaram esconder por trás de cortinas de fumo que lhes devem atormentar as consciências. Houve gente e projectos que se mantiveram coerentes. O Barcelos Popular é um exemplo. Trinta e sete anos depois de Abril, continuamos independentes do Poder Político, dos partidos e dos interesses de grupo ou pessoas. E prova dessa independência foi o crescimento que tivemos nestas mais de três décadas. Ganhámos as pessoas e crescemos. Embora diferentes, porque a vida e a História sempre mudam os homens, estamos como começámos na defesa da verdade, sem preconceitos nem padrinhos. E assim continuaremos.

Opinião

Barcelos Popular
24 de Abr de 2013 0

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