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Acerto de contas

EDITORIAL

Qualquer pessoa, mesmo com conhecimentos básicos de contabilidade doméstica, sabe que quando uma empresa encerra por dificuldades financeiras não o faz por pagar 15 ou 30€ a mais aos seus trabalhadores.

O aumento do salário mínimo nacional, se a memória não nos falha, nunca reuniu tanto consenso social como nos tempos que correm. Não há praticamente ninguém na sociedade portuguesa, nem mesmo entre o patronato mais reacionário e conservador, que não defenda uma actualização do seu valor.

Estamos mesmo em crer que até Passos Coelho ou o seu guru das finanças, Vítor Gaspar, estariam de acordo se não tivessem vendido a alma ao diabo, ou seja, se não andassem a marcar passo à frente do tridente que os mafarricos de Bruxelas e Nova Iorque para aqui enviaram.

No entanto, como rapazes bem comportados, os meninos que mandam na governação do País, preocupados apenas com o financiamento da banca ou a defesa dos interesses do capital financeiro, não só não aceitam sem reservas as determinações da troika, como até arranjam desculpas esfarrapadas para não aumentarem sequer os míseros quinze euros mensais propostos pela UGT e por grande parte do patronato. A mais invocada é a de que as empresas não aguentariam este esforço financeiro acrescido, encerrariam, e o desemprego ainda cresceria mais.

Pelos vistos, segundo a maioria dos patrões, isso não é verdade. Mas também não era necessário que eles o dissessem. Qualquer pessoa, mesmo com conhecimentos básicos de contabilidade doméstica, sabe que quando uma empresa encerra por dificuldades financeiras não o faz por pagar 15 ou 30€ a mais aos seus trabalhadores. Isso é uma gota de água nas despesas totais de qualquer actividade económica.

Por isso, o que está em causa, para esta gente, não é o aumento do salário mínimo nacional. É, antes, um acerto de contas com o passado. A revanche dos que perderam em 25 de Abril de 1974 e que agora, apoiados de fora, ainda sonham com um regresso ao fascismo.

Opinião

Barcelos Popular
04 de Abr de 2013 0

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