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Mudar de rumo

Comemorar Abril

Uma grande parte – se não a maioria – dos eleitores que este ano vai ser chamada a escolher os responsáveis autárquicos, não fazem ideia da esperança que nasceu na madrugada de 25 de Abril de 1974.

Não sabe sequer que, apesar do choque petrolífero de 1973, ou do recuo do Produto Interno Bruto, em 1975, a esmagadora maioria do população ganhou poder de compra e, naturalmente, passou a viver melhor.

Hoje, com a crise económica instalada, com o desemprego a subir em flecha e com o fosso entre ricos e pobres a crescer desmesuradamente, as condições de vida dos que vivem apenas da sua força de trabalho degrada-se dia-a-dia e não se vislumbram melhore perspectivas no horizonte mais próximo.

O poder político e a oposição de direita desculpam-se com a crise provocada pelo grande capital internacional para evitar mexer nos interesses dos tubarões da finança e das grandes fortunas e vão injectando alguns cêntimos a conta gotas nos programas de acção social e de apoio à pobreza.

O poder económico, por seu turno, à pala das mesmas desculpas, vai reduzindo horários, despedindo trabalhadores e encerrando parte das empresas dos seus grupos, mesmo quando apresentam lucros substanciais. Poder-se-á, contudo, afirmar que nada disto tem relevância para as eleições autárquicas que se avizinham. E que o poder local não tem meios de impedir a pobreza ou de acudir às necessidades mais prementes dos que mal ganham para comer.

A realidade é bem distinta. As Câmaras têm responsabilidades na captação de investimento. Devem proporcionar condições infraestruturais e de logística às empresas que se pretendam instalar no concelho. Ética e moralmente são obrigadas a criar programas de apoio às famílias mais carenciadas e ao exército de desempregados que não pára de aumentar.

Infelizmente em Barcelos é o que se vê. Fernando Reis, até hoje, não conseguiu atrair riqueza que se possa considerar relevante para a economia do concelho. Os parques industriais foram nascendo e crescendo ao sabor dos interesses particulares ou de instituições como a ACIB. O tratamento de efluentes que há meia dúzia de anos atrás poderia muito bem ser feito pelas empresas é agora custeado com dinheiros públicos.

As redes de água e saneamento foram cedidas aos privados por tuta e meia e agora é o povo que paga a factura. As derrapagens financeiras em obras que se prolongam por cerca de uma década esvaziam os cofres municipais. As obras de fachada – como a da Fonte Cibernética, para dar só um exemplo – que não servem para nada e em muitos casos nem sequer funcionam obrigam ao endividamento crescente do município.

Os misteriosos negócios do Teatro Gil Vicente ou da Casa dos Rapazes – para não falarmos em mais – arruinam as políticas orçamentais. Por fim, os gastos exorbitantes com assessores, dirigentes de empresas municipais e colaboradores próximos de que não se conhece trabalho digno de registo ajudam ao desbaratar impune do erário público.
Enquanto isto, a Câmara tenta tapar o sol com uma peneira quando alardeia aos quatro ventos algumas – poucas – medidas de acção social.

Não foi para isto que se fez o 25 de Abril. O povo quer e precisa de mais. Está na altura de mudar de rumo. É bom que Fernando Reis entenda bem isto. Tanto mais que, ao que sabemos, o seu tempo agora é pouco para acompanhar a gestão camarária.
Aceite o nosso conselho: dê o lugar a outros e dedique-se à vida empresarial. Para isso – para ganhar dinheiro – o senhor tem jeito. O seu vencimento na Câmara, pelo contrário, não dá para construir fortuna.

Opinião

Barcelos Popular
23 de Abr de 2009 0

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