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Passar por Barcelos a caminho de Santiago

OPINIÃO

A par do rio, constitui-se o tramo barcelense do Caminho Português de Santiago como uma das principais riquezas que temos e, continuadamente, vemos desprezadas.

Para os que acreditam que a prosperidade de Barcelos é indissociável da capacidade que houver para capitalizar o seu potencial turístico, não haverá dificuldades em reconhecer a importância que o Caminho tem na nossa oferta. A par do rio, constitui-se o tramo barcelense do Caminho Português de Santiago como uma das principais riquezas que temos e, continuadamente, vemos desprezadas. E como quem pela sua fortuna não zela, pobre acaba, não é de estranhar estarmos como estamos. Anos a fio de desleixo e desatenção sobre estes dois corredores, que se encontram na ponte medieval em obediência aos quatro pontos cardeais, constituem um prejuízo que importa reparar, razão pela qual o MIB - Movimento Independente Por Barcelos - os elegeu como eixos estruturantes das suas propostas e compromissos eleitorais no que ao território concerne. Se a questão do rio já aqui foi aflorada a propósito da criação de uma eco-via ao longo das suas margens, projecto que, adquirindo dimensão intermunicipal, permitiria chegar até à foz do Cávado sem nunca perder de vista o correr das suas águas, é agora a vez de, ainda que resumidamente, abordar o tema do Caminho de Santiago.

Tendo-se verificado nos últimos anos uma crescente procura por parte de gentes das mais variadas proveniências, idade, e condição económica, é imperioso que se olhe esta realidade perseguindo dois objectivos: por um lado, converter a passagem por Barcelos em paragem: seria inquestionável benefício para a economia local se os peregrinos que por cá passam, actualmente como raposa por vinha vindimada, aqui pernoitassem, e quem diz dormir, diz jantar, diz comprar produtos do artesanato local que o vendedor trataria de fazer chegar à casa do nosso visitante, libertando-o assim da penitência de carregar até Santiago o peso de um galo de Barcelos. Enfim, estar-se-ia a gerar uma actividade económica que, actualmente, e para prejuízo de todos nós, não se vê. Mas para isso seria necessário seguir o exemplo que vem de Espanha, onde se procura que a instalação de albergues suceda maioritariamente dentro do perímetro das povoações, trazendo o viajante para junto do comércio, dos restaurantes, e de tudo mais que lhe possa aliviar o peso da bolsa. A este propósito, é justo que se saúde o esforço dos que, por moto próprio, se aventuraram em abrir um simpático albergue na rua Miguel Bombarda, numa demonstração de amor pelo Caminho, infelizmente rara entre nós. Sendo uma iniciativa louvável, é insuficiente para a satisfação deste desígnio, pelo que a criação de mais alojamento para peregrinos continua em aberto, sendo obrigação municipal dar-lhe resposta.

O outro ponto essencial na estratégia de valorização do Caminho passa pela memória que o peregrino guardará da sua passagem por Barcelos. Esse registo, quando gravado por bons motivos, é tantas vezes responsável por novas visitas, quer dele, quer de quantos que, animados pelos seus relatos, se decidam a visitar-nos. Isso implica uma atenta manutenção das vias florestais, reparando os estragos causados pelas chuvas, zelando pela sua limpeza, evitando que as bermas se transformem em vazadouro de lixo e entulho, como hoje frequentemente acontece, e, não menos importante, se construam passeios nas zonas em que o percurso se socorra de estradas nacionais, onde a convivência entre peregrinos e tráfego automóvel é de uma perigosidade aflitiva (basta ver o que acontece em Pedra Furada/Pereira e Tamel S. Fins/Quintiães para se perceber a urgência destas intervenções). Para além de tudo isto, seria não menos importante a colocação de sinalética que informasse o peregrino sobre onde está e para onde vai (o município de Ponte de Lima já tomou esta iniciativa, bastante útil quando se pretende saber o que ainda falta andar, em distância e tempo...). Como se vê, trata-se de pequenas intervenções que produziriam grande impacto junto daqueles que, em demanda do túmulo do Apóstolo, cruzam terras barcelenses.

Feito isto, poder-se-ia então dizer, com verdade, que se estaria a cuidar do Caminho de Santiago, honrando a benção de sermos atravessados por ele. O que até hoje se fez está muito longe disso.

Opinião

Barcelos Popular
07 de Fev de 2013 0

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