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O umbigo do santo e os iconoclastas

EDITORIAL

"(...) por muito que recorra aos tribunais, por muitas pressões que faça, vai ficar na história – se entretanto não mudar de rumo – como um dos piores presidentes de Câmara que passou por Barcelos".

O Barcelos Popular publicou há quinze dias dois pretensos direitos de resposta do senhor Miguel Gomes, que assina como presidente da Câmara (cargo que presuntivamente exerce apesar de não ser militante do partido que o escolheu), e aos quais o nosso camarada de redacção, Pedro Granja, na nossa edição da semana passada, assertivamente, chamou de "direito de insulto".

Não vamos aqui falar das mentiras do senhor Gomes porque, para além de isso já ter sido feito pelo jornalista Pedro Granja, insistir muito nesse tema pode levar a crer que o senhor Gomes é um mitómano, quando na realidade não o é. É pior. A mitomania é uma doença e, como tal, trata-se. Na verdade, o senhor Gomes mente por estratégia política e eleitoral com um único objectivo: o de tentar esconder a incapacidade política do executivo municipal que aparentemente lidera para mostrar obra.

Para isso, à falta de trabalho que se veja (recorde-se que a única inauguração de vulto que fez neste seu mandato foi a de um hipermercado às portas da cidade) procura, ele sim, silenciar o Barcelos Popular depois de ter chegado à conclusão que organizar jantares com empresários barcelenses para salvar jornais (que não o nosso) da falência não lhe garante audiências e muito menos credibilidade política. Pelo contrário, essa estratégia (como se viu no passado recente com outros actores e outros órgãos de comunicação social) desacredita quem pede ou influencia, quem paga, e quem se presta ao subserviente papel de escriba do regime.

Aconselhado, porventura, por algum assessor ou vereador com poder político efectivo, o senhor Gomes terá sido persuadido (ou não teve outro remédio) da necessidade de arranjar um bode expiatório no Barcelos Popular. Ou melhor: alguém lhe terá dito que seria um alvo a abater.

Com objectivos diversos. Em primeiro lugar porque se conseguisse desacreditar o nosso jornal (e isso não é fácil, senhor Gomes!) poderia passear à vontade, e sem críticas de maior, o seu dilatado e magnificente umbigo pelo concelho em festas e ralis ou em jantares e romarias. Depois, porque se tivesse sucesso nesse desiderato de romeiro compostelano, também poderia continuar a iludir-se de que não fazer nada e coisa nenhuma seria suficiente, só por si, para o elevar ao panteão dos deuses.

A verdade, porém, é que o senhor Gomes, por muitos insultos que profira, por muitas tentativas de vitimização que apregoe, por muitas queixas que apresente na Entidade Reguladora para a Comunicação Social, por muito que recorra aos tribunais, por muitas pressões que faça, vai ficar na história – se entretanto não mudar de rumo – como um dos piores presidentes de Câmara que passou por Barcelos.

O senhor Gomes diz, num desses "direitos de insulto" publicados há quinze dias pelo Barcelos Popular, que o nosso jornal "insiste em denegrir" a sua imagem e a da Câmara. Ó senhor Gomes: ainda ninguém lhe disse que não é necessário? O senhor não lê o que escreve?

Quanto ao resto, quando questiona "ao serviço de quê e a quem serve" a estratégia do Barcelos Popular, só lhe podemos dizer que nem estamos ao seu serviço – como certamente gostaria e alguém próximo de si o expressou, sem sucesso, numa Assembleia Geral da cooperativa proprietária deste jornal – nem dos chefes do partido que o escolheu para candidato à Câmara. Mas, e isso não é preciso dizer-lhe porque o senhor nos conhece bem, também não estamos à "venda". Quanto menos não seja porque não gostamos de dar trocos.

Posto isto, se quer protagonismo, aconselhámo-lo a bater com a mão no peito quando for ao pálio de uma qualquer procissão. Pode ser que alguém acredite que o senhor é um santo. Não seremos nós. Aqui na casa somos todos iconoclastas.

Ah! Só mais uma coisa para finalizar: pode ameaçar à vontade. Se há certezas que temos na vida, uma delas é a de que não temos medo de si ou de quem quer que mande aí na Câmara que o senhor frequenta.

Opinião

Barcelos Popular
31 de Jan de 2013 0

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