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Um país que não dorme com tanto desassossego

EDITORIAL

Hoje, vivemos amedrontados pelo futuro, receosos pela vida que podemos não continuar a ter.

A vida não tem sido fácil para os portugueses. O desemprego, o aumento (estúpido) dos impostos, os cortes nos salários e nos subsídios, a vida (apertada) definida pela necessidade de remodelar o orçamento familiar, o ajustamento a um modo de vida com menos sonhos e desejos, a perspectiva de um futuro sem futuro, a necessidade de emigrar e tantas outras "infelicidades" que nos caíram na cabeça sem que tivéssemos feito nada para pagar uma factura desta dimensão. Tudo isto criou uma depressão colectiva, uma nova forma de estar perante o futuro a que chamaria Medo.

Todos têm medo de não ter emprego amanhã, que o dinheiro não chegue para as despesas do dia-a-dia, para a prestação da casa ou do carro, para as propinas dos filhos que sempre alimentaram o sonho de tirar um curso superior, mas que agora é só para quem tem dinheiro.

Hoje, vivemos amedrontados pelo futuro, receosos pela vida que podemos não continuar a ter.

É uma espécie de depressão global, que, em muitos casos, cultiva os egoísmos, os radicalismos populistas, a revolta e opiniões perigosas sobre a actividade política. Hoje, já há quem premeie Salazar por ter instituído o Abono de Família. Há quem diga que todos os políticos são corruptos, que não vale a pena votar porque não há solução para o futuro do país, a não ser o abismo. Perigosos estes sentimentos. Foi em contextos psicossociais destes e conjunturas económicas similares que apareceram os ditadores apontados como salvadores da Pátria. Foi assim na Alemanha com Hitler, em Itália com Mussolini, em Portugal com Salazar.

Este Medo que nos leva a vida e destrói a Economia não pode ter tanta força como a Democracia.

Não há Coelhos insubstituíveis, muito menos ministros da Fazenda. Há muita gente séria que tem dado provas da sua dedicação à coisa pública. Nem todos os partidos pugnam apenas pelos seus interesses partidários ou dos grandes grupos económicos em detrimento dos do país. As conjunturas e os quadros sociais mudam e com eles as práticas de muitos políticos que são obrigados a mudar as sua orientações.

O que é fundamental é não nos deixarmos dominar por esse Medo que nos estão a meter no corpo e na mente. É preciso acreditar, que, mesmo com um 2013 desassossegado, temos que continuar a acreditar que a Democracia pode mudar governos, políticas e ministros da Fazenda.

Opinião

Barcelos Popular
03 de Jan de 2013 0

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