
É urgente Abril
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Perante esta evidente derrota política, o Governo devia tirar conclusões. As autarquias não estão com este modelo de reforma e opõem-se à sua concretização.
Barcelos foi um dos muitos municípios que recusou colaborar na extinção de freguesias segundo a lei "mata-freguesias" do ministro Relvas.
Sabe-se agora, depois de se ter esgotado o prazo para envio de pronúncias, que apenas 40 dos 229 municípios abrangidos apresentaram pronúncias válidas (17,5 por cento!).
Este resultado ganha ainda mais significado depois de o Governo ter introduzido na versão inicial da proposta de lei verdadeiros mecanismos de chantagem sobre as autarquias. Quem alinhasse na extinção de freguesias podia ganhar umas benesses orçamentais ou a esperança de ver poupadas da morte umas quantas. A resposta à chantagem foi, de facto, esmagadora.
Os autarcas do país exprimiram um rotundo não a uma reforma territorial que se resume a atacar as freguesias e a desproteger ainda mais as populações, com particular gravidade para as das áreas suburbana, rurais e do interior.
O Governo queria atirar para cima dos municípios o ónus da apresentação de propostas de extinção de mais de um milhar de freguesias. A grande maioria recusou-se a participar numa reforma antidemocrática, que coloca em causa a autonomia autárquica e não permite a participação das populações.
Perante esta evidente derrota política, o Governo devia tirar conclusões. As autarquias não estão com este modelo de reforma e opõem-se à sua concretização. As populações não querem continuar a perder serviços públicos, a sua identidade cultural e até a representação política que lhe está mais próxima. O argumento de que se tratava de uma reforma "de baixo para cima" caiu estrondosamente.
A suspensão imediata deste processo e a revogação da Lei 22/2012 impõem-se perante a expressividade desta recusa. Se não o fizer, o Governo vira as costas à realidade e só poderá contar com a revolta das populações. O debate sobre uma reforma administrativa territorial que comece pela regionalização e tenha em conta a vontade das populações só faz sentido para depois das próximas eleições autárquicas.
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