
A cidade sem maestro
Raramente Barcelos viveu, numa única noite, uma ag...
Perdida a legitimidade democrática, por desaparecimento da identificação dos votos alcançados pelo PSD e CDS nas últimas legislativas com o apoio popular de quem neles votou, passou este governo a adoptar a estratégia ilusória do contrário.
Já ninguém perde tempo com uma verdade inatacável, ou seja que o PSD e o CDS ganharam as últimas eleições legislativas com uma colossal mentira, uma solene promessa de não aumentarem os impostos e de "emagrecerem as gorduras do Estado".
Depois de outra não menor mentira de que teriam herdado um "colossal buraco orçamental", lá foram confessando que afinal o buraco colossal vinha da gestão do PSD na Madeira e de benefícios inexplicáveis.
Decorrido um ano e meio continuamos à espera da diminuição da despesa pública, não de qualquer uma, mas sim daquela que nada tem a ver com as tarefas fundamentais do Estado, definidas na Constituição.
Ora, estamos perante duas realidades. A primeira é a que resulta da incapacidade dos nossos governantes, neste ano e meio, de identificarem, sem demagogias ou mentiras, um plano de acção e a estrutura e tarefas do Estado que digam defender. A segunda é a de que a Constituição não é reformável ou passível de revisão sem os votos do PS, pelo menos, sendo expectável que os partidos busquem consensos nesta matéria.
Assim, quando ouvimos analistas ou responsáveis políticos dizer que é preciso "refundar" o Estado ou definir que Estado Social queremos, tal só pode significar que têm um plano ideológico contrário ao previsto na nossa Constituição, sem terem a coragem de o dizer e discutir de forma aberta de que forma o querem financiar, bem como o que querem transferir para os privados, mas mantendo subvenções estatais.
Não se apela ao diálogo sobre coisa nenhuma, muito menos sem esclarecer ideologicamente que valores dizem defender. A alternativa já existe, de forma segura e democraticamente escolhida pelo Povo e na nossa Constituição. Não se muda o que está bem, a não ser que esclareçam previamente o que pensam estar mal e de que forma querem mudar o que a maioria entende que está bem.
Deste ano e meio de governo há o registo de uma obsessão contra os salários, trabalhadores, doentes, reformados, desempregados, dependentes sociais, classe média, pequenos e médios comerciantes, industriais e empreendedores, que foram espoliados sistematicamente, numa execução cirúrgica de um plano ideológico e político que muitos se cansam em camuflar. Porém, para além de ser necessário encontrar a origem e as causas no tempo em que Cavaco Silva foi primeiro ministro, também já não restam dúvidas aos Portugueses de que este é um governo de direita e que a maioria não quer.
Perdida a legitimidade democrática, por desaparecimento da identificação dos votos alcançados pelo PSD e CDS nas últimas legislativas com o apoio popular de quem neles votou, passou este governo a adoptar a estratégia ilusória do contrário.
Assim, anunciam-se aumentos enormes da carga fiscal, mais uma vez contra os mesmos, no Orçamento de Estado para 2013, para, a seguir e face ás críticas, anunciarem que afinal há um ganho porque vai ser reduzido parte desse aumento anunciado.
Ou seja, pagarão os Portugueses mais, mas com a ilusão de que tudo poderia ser pior. Anuncia-se a morte dos portugueses para depois esclarecer que afinal só lhes será cortada a cabeça.
A par vamos tendo os discursos patrioteiros e de defesa da pátria. Só faltará citar a velha frase de Salazar " Se soubesses o que custa mandar gostarias de obedecer toda a vida"!
É caso para repetir, mais do que nunca, que a democracia não é um regime perfeito mas é o melhor sistema que se conhece. Porém, nada se conseguirá se a maioria se alhear do seu destino. A melhor escolha, por mais que nos queiram fazer acreditar no contrário, depende só de todos nós.
0

Raramente Barcelos viveu, numa única noite, uma ag...

Nunca se produziu tanta riqueza no mundo. Nunca ho...

Existe um padrão inquietante na gestão municipal d...

Muitas das decisões que irão marcar Barcelos daqui...