
A cidade sem maestro
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Aliás, perguntar-se-á se o Povo quer um governo com primeiro ministro do PSD, precisamente o partido que o enganou nas eleições, que já demonstrou ser incapaz, senão mesmo incompetente para resolver a crise.
O governo de Portugal está em absoluto desnorte e em desintegração eminente. Ex-dirigentes do PSD e comentadores políticos não concordam com as medidas de austeridade projectadas no Orçamento de Estado de 2013.
Por seu lado, no CDS-PP nem Paulo Portas acredita neste orçamento e já há dirigentes e muitos militantes deste partido a pedirem o fim da coligação. Porém, tal só acontecerá depois da aprovação deste orçamento, para manter a coerência anestesiante deste partido.
Entretanto, os mesmos de sempre, que jamais foram capazes de acertar uma ideia de futuro para este País, começam a repetir que "isto só lá vai" com um governo de iniciativa presidencial, embora sem precisar o que é "isto" e "para onde vai".
O Povo, com razão, desconfia e, pelas manifestações e declarações vindas de todos os quadrantes, já deu a entender de forma inequívoca que já não confia, nem dá o seu voto a este governo, com protagonistas enganadores, qual vendedores de promessas não cumpridas.
É claro que só pode defender a ideia de um governo de iniciativa presidencial quem não está interessado em promover as instituições democráticas e representativas do Povo. Porém, no quadro constitucional, este governo perdeu a legitimidade democrática, por falta de identificação com os problemas e anseios da maioria do Povo, faltando só o fim do que já acabou, ou seja a coligação.
Aliás, perguntar-se-á se o Povo quer um governo com primeiro ministro do PSD, precisamente o partido que o enganou nas eleições, que já demonstrou ser incapaz, senão mesmo incompetente para resolver a crise.
Por outro lado, no CDS-PP parece que ninguém aprova as medidas de aumento brutal da carga fiscal sobre o cidadão comum, mas continuam num silêncio revelador da sua incapacidade e menoridade política.
Quando está em causa a democracia e a representação dos Portugueses só há uma abordagem possível, que passa sempre por devolver a palavra ao Povo, que, através do voto, pode responsabilizar quem mal governou e escolher quem entenda que melhor o representará no momento.
Outras soluções só podem ser defendidas por quem da democracia tem uma visão distorcida. Estando o Presidente da República no seu último mandato e formando-se um governo por pessoas sem representação partidária, quem vai garantir a sua competência e sobretudo a sua responsabilização democrática? E qual o programa político que tal governo iria executar e com que balizamento ideológico?
Um governo de iniciativa presidencial, com a participação de figuras do PSD e CDS, pois espera-se que o PS jamais cometa o erro histórico e político de nele participar, como seria responsabilizado politicamente pelos Portugueses? E, já agora, iria governar por 48 anos (como alguns gostariam ) ou por quanto tempo?
É claro que é preferível aos portugueses pagarem o custo de eleições legislativas antecipadas, do que pagarem o equivalente a milhares de eleições, custo do desvario político em que tal governo de salvação nacional nos condenaria.
Ou já esqueceram o custo, de milhares de milhões de euros, da incompetência e deriva ideológica deste governo, no último ano e meio, bem como o custo da progressiva perda da soberania nacional?
A palavra ao Povo e quanto mais depressa melhor.
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