
A cidade sem maestro
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Efectivamente, o OE 2013 realça que perdemos a soberania quando pedimos a ajuda financeira e que passamos a ser um protectorado da Alemanha.
O que sabemos sobre o orçamento de estado para 2013?
Que quebra o compromisso com a troika no ajustamento da economia referente aos cortes na relação despesa/receita, que diminui os rendimentos dos cidadãos com uma carga fiscal insuportável e que elimina o crescimento aumentando a espiral recessiva. Indica-nos ainda o máximo de austeridade, o mínimo de crescimento da economia e o aumento do desemprego. É violento e vai pôr em causa a coesão social.
Se este tipo de austeridade tem sido um desastre e tem vindo a prejudicar o país porque não se aplicam outras medida que não massacrem os cidadãos? Porque razão os nossos governantes não entram na via negocial com a Europa e na reestruturação da dívida e dos juros? Mesmo que a direcção a seguir seja combater o"deficit" e pagar o que devemos, há sempre alternativas que não atacam à bruta a grande maioria. Vamos ter uma versão antagónica do "socratismo" mas com o mesmo caminho: um estouro monumental. O povo não vai aguentar esta política assustadora de neoliberalismo.
Acenar sempre com o "papão" recriminatório de que vivíamos acima das nossas possibilidades e apontar o governo anterior e a conjuntura internacional como responsáveis pela dificuldade em fazer mais e melhor são razões que interessam para segurar uma parte da base de apoio partidária. No entanto, não convencem como retaguarda para aplicar uma austeridade sem precedentes. O orçamento contem os ingredientes suficientes para as gerações mais jovens acelerarem a angústia e a desilusão focando os olhos na emigração, os funcionários públicos ficarem desatinados com tanta perseguição, os pensionistas serem amarfanhados e espartilhados, os comerciantes aumentarem a inquietude com o vazio do negócio, os pequenos e médios industriais e agricultores sentirem o desespero com a asfixia montada pela banca e os desempregados ficarem a meio passo do abismo. De facto, somos o melhor povo do mundo…
Efectivamente, o OE 2013 realça que perdemos a soberania quando pedimos a ajuda financeira e que passamos a ser um protectorado da Alemanha. Mais ainda, salienta que é a Europa a definir quais são as medidas fundamentais a aplicar para combater a dívida. "Gaspar e companhia" actuam como marionetas tendo só a liberdade de dar uns toques de requinte de malvadez. Ao que chegamos!
Perante o que vemos e ouvimos, o orçamento não é uma bomba de napalm, um tsunami ou um túnel sem luz mas uma doença fatal lançada para tomar conta das pessoas, aos poucos, vencendo as suas resistências psicológicas e financeiras. É matar o bem-estar e o sonho de viver bem em democracia.
Conclui-se que este poder não vê mais do que números e só olha para a defesa dos seus próprios interesses. Tem falta de espírito de serviço e de visão humanística. A continuar assim, levam com um tufão igual ao dos Açores e desaparecem. O povo agradecerá porque não foi bem tratado.
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