Confrangedora ignorância
O presidente da Câmara, na última sessão do executivo municipal, à falta de argumentos válidos, utilizou uma linguagem de baixo nível para insultar o director do Barcelos Popular e o nosso jornalista Pedro Granja.
A justificação para esse comportamento – se é que há justificação – teve a ver com a notícia que aqui publicámos, em 6 de Setembro passado, sobre o ajuste directo, de 11.700,00€, para serviços de arquitectura e assistência técnica à obra de recuperação do Museu de Olaria.
Na iluminada opinião do presidente, o jornalista Pedro Granja e o director do Barcelos Popular, sofreriam de uma “confrangedora ignorância” porque, dizia, o projecto, do ponto de vista legal, teria que ser feito pelo mesmo arquitecto que elaborou a versão inicial, antes das obras pararem por falência do empreiteiro.
Acontece, porém, que, na “fundamentação da necessidade de recurso ao Ajuste Directo”, apresentada pela Câmara no contrato de aquisição de serviços diz-se, claramente, que é feito por “ausência de recursos próprios”.
Posto isto, e uma vez que não foram o director do Barcelos Popular ou o jornalista Pedro Granja a assinar o contrato, só quem o fez é que pode ser acusado de “confrangedora ignorância”. A menos que assine de cruz e não leia o que lhe põem à frente.
Mais, o presidente da Câmara foi mantido na mais “confrangedora ignorância” sobre questões que lhe dirigimos, por fax, relacionadas com a notícia em causa, cerca de 30h antes do fecho da edição do Barcelos Popular, que poderiam ajudar a desfazer o eventual erro contratual cometido pelos serviços que dirige.
Já não é a primeira vez que o presidente da Câmara patenteia uma “confrangedora ignorância” sobre a correspondência trocada entre o Barcelos Popular e o seu gabinete de propaganda. Mas isso não nos dá o direito de dizer que ele é um verbo de encher para quem dirige esses serviços. Por uma questão de respeito pelo cargo e, sobretudo, por educação.
Este tipo de comportamento, próprio de quem anda desesperadamente à espera de encontrar um bode expiatório para tentar justificar a manifesta incapacidade política do órgão que dirige, não enobrece o cargo nem oblitera a inépcia municipal, mas compreende-se, vindo de quem vem.
O director do Barcelos Popular e o jornalista Pedro Granja não são santos ou modelos de virtude que pretendam ser seguidos por quem quer que seja. Não é para isso que aqui estão. E dispensam bem esse encargo. Por vezes, até é preferível viver na mais “confrangedora ignorância” do que ter de engolir sapos vivos para manter uma mise-en-scène ridícula de pavão enfatuado.
