
É urgente Abril
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O Estado tornou-se insensível socialmente, rasgou a constituição e goza com as decisões do Tribunal Constitucional ou de qualquer outro Tribunal que o condene.
Os fanáticos ultra-liberais do governo de Portugal continuam a executar de forma cínica, mas com precisão cirúrgica toda a sua agenda ideológica. Já há analistas e comentadores e dizer que se está a verificar um golpe de estado silencioso, com destruição de todos os direitos e valores instituídos depois do 25 de Abril de 1974.
Em nome do Estado, que aparentemente deveria ser nosso, um conjunto de cabeças urdiu e planeou, o assalto e a apropriação de todo o património nacional em benefício próprio ou de grupos, para já não identificados completamente.
Para o efeito, a coligação PSD-CDS levou a efeito uma intoxicação da opinião pública através dos meios de comunicação que detêm, lançando todo o tipo de ataques soezes contra o governo anterior, fazendo-o cair. Depois, com falinhas mansas prometeram o que sabiam que não iam cumprir. O povo, sempre cego e ingénuo à procura de melhores dias, mesmo quando a evidência aconselhava outro rumo, deu-lhes o poder por quatro anos.
Imediatamente após a tomada de posse o discurso e a prática do governo mudou, pondo este em marcha o maior ataque aos direitos adquiridos, com a cândida explicação de que afinal tinha que ser assim, por causa da troika, aprovando medidas estúpidas, cegas e que já demonstraram ser inadequadas para relançar a economia.
Apesar de toda a gente ver que o acordo com a troika não tem lá previstas a maioria das medidas mais gravosas para os cidadãos -–, basta ler - aquele governo prosseguiu o mais feroz ataque contra os trabalhadores, pensionistas, estudantes, desempregados, classe média, empreendedores e empresários, colocando centenas de milhar na falência e indigência e outros tantos milhões em risco de seguirem igual caminho.
As empresas ou particulares que, ainda sem ajuda do Estado, trabalham, criam riqueza e emprego, não têm acesso ao crédito ou apoios para uma normal gestão e são todos os dias confrontados com impostos a pagar e obrigações que ultrapassam a capacidade de sacrifício de alguém normal.
Os impostos sobem em flecha para os trabalhadores por conta de outrem, consumidores e empreendedores, ultrapassando-se o limite do tolerável.
Contudo, o Estado em nada corta ou emagrece a despesa e os representantes eleitos não dão o exemplo, que deveria vir de cima para baixo, acompanhando a "lei da gravidade". As instituições democráticas estão gravemente inquinadas.
Milhares de cidadãos fizeram há várias décadas um contrato com o Estado, pagando regular e mensalmente as suas contribuições para a Caixa de Previdência ou Caixa Geral de Aposentações, tendo o Estado assumido a obrigação, consignada em lei, de lhes retornar no fim da vida com pensão de reforma devidamente calculada.
O Estado nunca descontou sobre os salários dos seus trabalhadores o valor que exige que as empresas paguem.
O Estado foi gastando sem controlo os fundos de pensões, da Segurança Social e CGA, no valor de mais de 50 mil milhões de euros.
O Estado não paga a fornecedores a tempo e horas e fica a dever a todo o mundo, não querendo saber, nem sendo responsabilizado pelas falências que essa falta de vergonha causa. O Estado tornou-se o maior caloteiro de Portugal.
O Estado impõe às empresas e aos trabalhadores por conta de outrem um regime laboral que não admite aplicável aos funcionários e trabalhadores por si contratados, que vai despedindo a seu belo prazer e sem qualquer sensibilidade, ou a quem vai retirando salários ou direitos sem o menor pestanejar.
O Estado tornou-se insensível socialmente, rasgou a constituição e goza com as decisões do Tribunal Constitucional ou de qualquer outro Tribunal que o condene.
O Estado não é uma pessoa de bem e esta coligação governamental anunciou o fim do Estado de Direito Democrático, tal como definido no artigo 2º da Constituição da república.
Porém, como Portugal é e será uma República Soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária ( artigo 1º da Constituição ), este governo acaba, sem disso retirar as consequências, de anunciar o início de uma nova revolução e, obviamente, o seu fim!
Barcelos, 12 de Setembro de 2012
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