
A cidade sem maestro
Raramente Barcelos viveu, numa única noite, uma ag...
Entretanto, nos intervalos dos espectáculos circenses que amiúde tem armado, o executivo, na ausência de liderança, vai montando, à vez, cavalos imaginários contra oníricos moinhos de vento.
Desde que tomou posse – e já lá vão quase três anos! – o executivo municipal e, por maioria de razões, o seu presidente têm-se preocupado mais com a aparência e o querer parecer do que com a obra e o querer fazer.
Essa estratégia – se assim lhe podemos chamar – terá eventualmente funcionado numa primeira fase, mas agora, a cerca de um ano das eleições, parece evidente que o circo já não chega. É preciso mais. O povo quer pão e não há quem o saiba fabricar. Não por falta de gente ou de tirocínio, antes por falta de jeito ou vontade de trabalhar – que, convenhamos, não é coisa pouca.
Entretanto, nos intervalos dos espectáculos circenses que amiúde tem armado, o executivo, na ausência de liderança, vai montando, à vez, cavalos imaginários contra oníricos moinhos de vento. Dessas correrias loucas e sem sentido pouco tem resultado, a não ser, talvez, a imagem ridícula de uma espécie de Don Quixote colectivo a que não faltará a companhia de um qualquer Sancho Pança de serviço. Mas sem burro, porque os burros não são estúpidos.
Seguindo esta lógica de cavalgada quixotesca, o presidente da Câmara, a exemplo do que já tinha feito o seu vice e líder (no partido!), tem-se preocupado mais com o nosso jornalista Pedro Granja do que com os serviços do Gabinete de Comunicação Municipal que, supostamente, estarão sob a sua alçada.
Desta feita, a propósito do texto do nosso jornalista sobre o GSM, o Milhões de Festa e o Subscuta, publicado na edição do Barcelos Popular do passado dia 23 de Agosto, o presidente, num documento que nos foi enviado em forma de pretenso esclarecimento, volta a insistir no orçamento do Milhões de Festa para não dizer coisa nenhuma. Não responde ao que lhe foi perguntado: quanto custou o Milhões de Festa? Fica-se pelo orçamento. E enquanto se ficar por aí teremos toda a legitimidade para informar os barcelenses desse valor e assumi-lo como custo. Tanto mais que – e o presidente sabe do que estamos a falar – numa reunião surrealista, realizada no seu gabinete, com um militante do PS e na presença de três outras personalidades ligadas à gestão municipal, foi dito, a despropósito, que a Câmara não tinha que informar nada nem ninguém sobre os valores em causa.
Isto é a verdade dos factos. É rigor jornalístico. O presidente, se quiser ou puder, que desminta.
Mais à frente, nesse tal "esclarecimento", o presidente da Câmara diz que o nosso jornalista "quando lhe dá jeito, questiona a Câmara, mas não aguarda resposta; quando não dá, não questiona a Câmara, como aconteceu, por exemplo, com a peça" sobre o corte de acesso a espaço público na frente ribeirinha.
Ora bem, em primeiro lugar o Barcelos Popular questiona sempre a Câmara sobre assuntos que lhe digam respeito. Não pode é ficar eternamente à espera de respostas como a dos custos do Milhões de Festas que já tem barbas. Depois, sobre o tal evento que cortou o acesso à frente ribeirinha, o jornalista Pedro Granja enviou um email, cinco dias antes do fecho da edição do Barcelos Popular, no dia 17 de Agosto, às 17h26, que aqui se reproduz na íntegra e que desmente as palavras do presidente do executivo.
Assim sendo, só podemos chegar a uma das seguintes conclusões: o presidente da Câmara, se não mente deliberadamente para denegrir a imagem do Barcelos Popular e do seu jornalista Pedro Granja, está mal assessorado, ou pior do que isso, o Gabinete de Comunicação não lhe dá cavaco.
Seja qual for a resposta, a verdade é que de nenhuma delas o presidente sai bem no retrato.
Não nos cabe avaliar a confiança que o chefe do executivo deposita nos seus colaboradores mais directos. É um problema que só a ele lhe diz respeito. Mas não deixaremos de falar do que entendermos ser o melhor para os barcelenses. Sem medo dos "custe a quem custar" ou dos Sanchos Pança que orbitam em seu redor.
Podem-nos chamar burros por recusarmos benesses, mas não somos estúpidos e muito menos fáceis de montar.
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