
A cidade sem maestro
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Ninguém repara que há milhares de portugueses a trabalhar em Agosto para garantir que este País não pare de "funcionar".
No mês de Agosto, quando a maioria anda preocupada com olímpicos jogos, campeonatos de futebol, férias dos governantes, festas populares, eventos variados, casamentos e baptizados, é praticamente uma tarefa votada ao insucesso escrever uma crónica sobre algo que faça pensar as cabeças tolhidas por tanta informação não processada e doridas com más digestões.
Ninguém repara que há milhares de portugueses a trabalhar em Agosto para garantir que este País não pare de "funcionar".
Até parece que momentaneamente a crise também se ausentou para parte incerta, em férias não merecidas, mas que todos querem acompanhar pelas revistas e jornais sociais.
Entretanto os jornais e televisões encontraram bons temas que servem para coisa nenhuma, ou seja falar sobre as maiores fortunas do país e das razões da infelicidade de alguns que passaram, sabe-se lá porquê, a deter menos alguns milhões de euros, enquanto nas grandes festas de verão milhares fazem do "abanar o capacete" tarefa fundamental.
Já os nossos governantes e dirigentes partidários têm andado numa corrida louca pelas universidades de verão, falando sobre coisas demasiado importantes para serem levados a sério, repetindo lugares comuns em jantares de verão, festas de pontal, romarias e areais, espalhando promessas de que agora é que vai ser dificilmente bom.
Entretanto o povo anónimo atónico vai perguntando aos seus botões como continuar o milagre de viver sem dinheiro, sem emprego e sem segurança social, evitando o choque térmico das águas atlânticas, ainda que nas costas portuguesas.
Os menos hipócritas lá vão fugindo até ao "estrangeiro", ainda que seja cá dentro, mas escondendo envergonhados o seu roteiro.
A velha máxima "para inglês ver" deu lugar à outra máxima de: "o que não se vê, não se lê, não se sente ou se ignora, não se sabe"…
Entretanto os nossos governantes já têm o discurso escrito à socapa, que nos apresentarão no fim do verão. A maioria já sabe qual será.
A festa de verão acabará e começará um inverno antes do tempo. Por isso aproveite, pois pode ser este o seu último verão com milhões de festas e enganos mil. O fim do verão trará, porém, uma vantagem, pois a partir de Setembro os partidos políticos vão começar a apresentar os candidatos autárquicos e as suas ideias. Ora nada melhor do que um "bom período eleitoral" para que o País " rebole e avance, como uma bola colorida nas mãos de uma criança".
E… a seguir a um inverno virá sempre um novo Verão.
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