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25 de Abril: Hoje mais do que nunca

EDITORIAL

"O País chegou ao estado de calamidade em que se encontra por culpa exclusiva desse "arco" sem princípio, meio ou fim".

Alguém que desconhecemos, mas de quem não será difícil adivinhar a origem ideológica, entendeu que a alternância democrática, em Portugal, se resumia aos três partidos que nos têm governado nos últimos trinta e cinco anos.

A partir daí não se fala noutra coisa que não seja nessa excrescência semântica – de duvidosa assertividade científica – que dá pelo nome de "arco do poder".

A frase, aparentemente inócua, encerra, contudo, uma ideia peregrina: a de que PS, PSD ou CDS serão os únicos partidos portadores de uma espécie de código genético que nos dará garantias de bom governo da coisa pública.

A verdade, porém, anda muito longe dessa realidade. O País chegou ao estado de calamidade em que se encontra por culpa exclusiva desse "arco" sem princípio, meio ou fim, muito embora todos desafiem os princípios da geometria quando se querem pôr de fora do plano em que assenta esse círculo vicioso.

As razões para chegarmos ao ponto em que nos encontramos, com o FMI a escorregar alegremente, pela terceira vez desde o 25 de Abril, no plano inclinado construído por Sócrates, Cavacos e quejandos nesta ocidental praia lusitana, são mais que muitas, mas assentam, sobretudo, na escolha de um caminho comum aos homens do "arco": a do neoliberalismo.

Essa política, contrária aos princípios sociais e políticos que estiveram na origem do 25 de Abril, levaram a que em Portugal o fosso entre ricos e pobres seja dos mais elevados da União Europeia e proporcionaram à infecunda e obscena classe dos especuladores financeiros o terreno fértil para uma lavra de ganhos astronómicos.

A chegada a Portugal dos profetas da desgraça que representam esta casta, por altura das comemorações do 25 de Abril, não é um contra-senso, como já ouvimos dizer. Será, isso sim, um toque a finados do que resta das conquistas sociais da Revolução.

É por isso que, hoje mais do que nunca, importa resistir e lutar contra o fatalismo do "arco" que nos andam a impingir.

Opinião

Barcelos Popular
21 de Abr de 2011 0

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