
É urgente Abril
É cada vez mais urgente falar e comemorar o 25 de ...
Escrevi este desabafo em forma de grito e bolsos rotos, por todos os criadores deste país que jogam às cartas com o tempo há espera que aconteça: - um tempo sem tempo, onde o trabalho artístico seja digno como qualquer outro e, fundamentalmente, pago
O Rui Basto, que escreve micro-contos, haveria de se bastar com o título desta crónica.
A frase, apesar do imperativo do foguete, consegue só por si contar uma história. É uma daquelas expressões que não precisa de nada ou ninguém que a apresente.
Aliás, fogem dela como o caixão da cova, os devedores.
Decidi hoje, aqui, não fugir eu próprio do tema, o que de certa forma coloca os leitores deste texto e o autor no mesmo patamar de redenção. Generalizando, generalizando…
Venho aqui nesta crónica que este jornal me deixa publicar, falar desta coisa profundamente obscena que é fazer cultura com os mesmos paus com que se faz uma canoa, que para vos ser sincero, nunca soube quantos eram.
Venho aqui falar-vos de cultura pelas horas da amargura. De mau-olhado…
Esqueçam!
Não venho falar de nada disso. Venho falar de um país que começa na primeira porta da tua rua, leitor.
No Picheleiro que me/te faz falta, que mora logo a seguir, e um dia ainda vai trabalhar para a União Europeia das Torneiras sem Pinga.
Sempre que o chamo a casa, ele sai sorridente e eu fico com um problema na bóia que tenho no cérebro, e um rombo na carteira, que se me esgota. Que se me esgota…
E depois, quando o lítio se equilibra, eu, rapaz esforçado, escritor de vastos recursos, fico a pensar:
- Se nesta porcaria de país, um picheleiro que me/te cobra, e bem, apesar do pingo ininterrupto no meu cérebro, é um cidadão considerado, por que razão não o somos eu/tu, escritores, artistas esforçados, seres dignos de sermos pagos pela forma como desentupimos a bóia que cada um tem na tola, como apertarmos porcas em parafusos de diferente polegada?
A resposta, é muitas vezes uma gargalhada, no riso estúpido dos tipos que pensam que a cultura se faz com os mesmos paus com que se faz uma canoa. Que o artista é um gajo que não come, não gasta. Vive de ar e vento.
Um comuna sem escrúpulos, capaz de ajudar o Otelo, fornecendo-lhe gasolina a caminho da sua própria loucura, qual bóia que nunca ninguém aferiu.
Eu me confesso aqui: - Sou um picheleiro de palavras!
Cada vez que me chamarem para desentupir o cano, eu levo ferramentas e um saber fazer que me veio de arriscar e cair.
Usarei os verbos como sisal, e se for preciso silicone. Do mais caro, que para tapar o buraco da mediocridade, do mínimo pensamento comum, nem qualquer cola serve.
Escrevi este desabafo em forma de grito e bolsos rotos, por todos os criadores deste país que jogam às cartas com o tempo há espera que aconteça: - um tempo sem tempo, onde o trabalho artístico seja digno como qualquer outro e, fundamentalmente, pago!
Esse tempo, usa óculos escuros, esquiva-se com habilidade das palmadas nas costas, e não é um eterno candidato ao politicamente correcto.
Almejo alcançá-lo.
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