
É urgente Abril
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Um contrato que quem irresponsavelmente andou a prometer "bacalhau a pataco" tinha obrigação de conhecer, impede-o. Mais: ficamos a saber que é imperioso que o preço da água suba, e suba acentuadamente.
Quando em 2009 o Partido Socialista ganhou a Câmara Municipal – ou o PSD a perdeu, a dúvida perdurará eternamente…–, aconteceu aquilo que sempre acontece a quem é eleito: herdar o bom e o mau da gestão anterior. No caso concreto barcelense, a herança, salvo as excepções que os dedos de uma mão chegam e sobejam para contar, era pesada: uma cidade paralisada no tempo, um centro histórico a caminhar irresponsavelmente para a ruína, um rio esquecido, um teatro encalhado, uma circular rodoviária por acabar, falta de rigor e transparência na condução dos negócios municipais, aqui e ali, laivos de despotismo muito pouco iluminado, transformação da Câmara e suas "filiais", leia-se empresas municipais, em agência de emprego dos amigos do partido, etc., etc.. A tudo isto somar-se-ia ainda a famigerada concessão da água e saneamento, a qual, à laia de bandeira eleitoral, foi brandida até ao limite para que se votasse PS. E o facto é que os eleitores assim fizeram, ora interessados que lhes baixassem o preço da água, ora fartos de décadas de PSD. Ou ambos.
E aqui chegados, a caminho de três anos de um mandato de quatro, pergunta-se: mas afinal o que é que mudou? A cidade continua paralisada, o centro histórico degradado como nunca, o rio corre tristemente, o teatro mantém-se fechado sabe-se lá até quando, a circular está como estava em 2009, a rotunda do Continente ou os Centros Escolares testemunham a falta de seriedade que assiste ao tratamento dos assuntos municipais, os tiques de autoritarismo e arrogância pontuam a acção governativa, a Câmara continua a servir para empregar correligionários que se ali não encontrassem abrigo estariam a engrossar as filas de desempregados, enfim, por muito que procuremos diferenças, apenas encontramos semelhanças com a defunta Senhora. Restava aos mais crédulos a promessa de que o preço da água iria baixar. Para metade, apregoava-se em campanha. Sabe-se agora que isso é, tal como já o era então, impossível de realizar. Um contrato que quem irresponsavelmente andou a prometer "bacalhau a pataco" tinha obrigação de conhecer, impede-o. Mais: ficamos a saber que é imperioso que o preço da água suba, e suba acentuadamente.
Não vem aqui ao caso a natureza malévola da concessão, a qual não difere de tantas outras, sejam auto-estradas, sistemas de águas e saneamento, ou hospitais. Todos esses contratos apresentam um princípio comum: o Estado concessiona a privados aquilo que são as suas obrigações, garante o sucesso do negócio chamando a si todos os riscos, e os concessionários agradecem, por exemplo, convidando a integrar os conselhos de administração das suas empresas aqueles que em nome do Estado com eles negociaram, mal estes abandonem as suas funções públicas. Ouço dizer que também há outras formas de "gratidão", mas esta é a mais conhecida, até porque é impossível de esconder, e de ilegal nada tem, que o digam o Eng.º Ferreira do Amaral, ou o Dr. Jorge Coelho, entre muitos outros abnegados servidores da causa pública que tão afincadamente têm contribuído para a promiscuidade entre política e negócios.
O que está aqui em causa não é apenas o contrato celebrado entre a Câmara e a Águas de Barcelos. Por mais grave que ele seja, e é-o certamente, pior foi a forma irresponsável como o actual poder lidou com o problema, começando por prometer o impossível, o que, associado a um clausulado leonino, nos deixou a todos em grandes apuros. E agora é assistir ao esgrimir de acusações entre quem assinou esse desgraçado contrato e quem se propôs conduzir a sua renegociação.
Uns e outros falharam.
A nós compete-nos pagar a conta.
Barcelos, 27 de Janeiro de 2012
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