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A culpa afinal é dos trabalhadores...!!!

CRONICAS DE BARCELOS (17)

Contudo, haverá outros que, por total falta de formação, de ética, por falta de experiência, saber empresarial ou por convicção política irão acentuar comportamentos violadores da legislação laboral...

Durante os últimos seis meses de 2011 os Portugueses acomodaram-se à ideia de que um Primeiro Ministro pode mentir, desde que seja do PSD ou do CDS. Já o anterior mereceu o inferno dos media nacionais, que criaram o clima necessário ao cartão vermelho dos Portugueses, entregando o poder à direita que os controla.

Na verdade, as promessas de não aumentar os impostos, de obrigar os mais ricos a pagar impostos, aliviando a carga fiscal dos menos afortunados e dos trabalhadores por conta de outrem, de governar com solidariedade para os mais desfavorecidos e de distribuir equitativamente os esforços para ultrapassar a crise não passaram disso mesmo, ou seja de promessas mentirosas de políticos sem vergonha.

É claro que numa primeira fase o "emagrecimento das gorduras do Estado" passou por outra grande mentira, de que a culpa era dos funcionários públicos e reformados, que logo foram espoliados de direitos fundamentais, sendo aí também ensurdecedor o silêncio dos média e de quem tem por função aplicar a Constituição.

Mas o golpe político que a direita leva a cabo, mesmo sem revisão constitucional – é legítimo questionar e exigir declaração de interesses para sabermos se há alguém nas instâncias do Estado que saiba ou queira defender o Estado de Direito Democrático –, não podia dar-se por findo sem o último embuste, palavra tão do gosto do PSD local.

Assim, agora o alvo são os trabalhadores por conta de outrem. Já só falta alguém, como aquele candidato Republicano dos USA, dizer que são todos uns malandros e que merecem todos ser obrigados a trabalhar sem nada receber, a não ser por caridade da respectiva entidade patronal, incluindo as respectivas crianças, que devem ser obrigadas a lavar o chão das escolas como contrapartida dos gastos com a sua educação e para criarem hábitos de trabalho (sic).

É claro que muitos Empresários e Empreendedores não acham graça a este suicídio liberal e de direita, pois sabem que um dia vão também pagar a factura da incompetência governativa, sendo óbvio que aqueles que buscam paraísos fiscais o fazem também porque não acreditam nestes governantes.

Contudo, haverá outros que, por total falta de formação, de ética, por falta de experiência, saber empresarial ou por convicção política irão acentuar comportamentos violadores da legislação laboral, sabedores de que neste País as entidades fiscalizadoras, salvo raríssimas excepções que quase ninguém conhece, nada fazem.

Aliás, entre as recentes medidas chamadas de concertação social não consta uma única que penalize especialmente as entidades empregadoras que violem aquelas normas, muito menos uma única que estabeleça sanções severas para aqueles que violem, sem justificação, os direitos dos trabalhadores.

Pois, "seria uma maçada pedir tal coisa". É claro que um desequilíbrio de normas e de esforços tem como consequência o aumento da conflitualidade social e o aumento da precariedade do emprego, mas não resolve o problema essencial da nossa economia, que continua a ser a necessária produtividade, com o aumento das nossas exportações, para equilíbrio da nossa balança comercial.

Aliás, seria bom que os gestores, economistas e responsáveis soubessem ler os sinais da história, em vez de continuarem preocupados em alimentar o monstro. Já deviam saber, porque foram os únicos culpados da actual situação, que têm antes de mostrar provas da sua competência, pois já estamos fartos de suportar as consequências da sua ignorância arrogante.

Opinião

Barcelos Popular
19 de Jan de 2012 0

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