
O fim de um ciclo
Durante décadas, Barcelos viveu à sombra da indúst...
Nos tempos incertos que vivemos, o conceito de cidadania e, principalmente, a sua vivência, esvaem-se, assim, na tormenta.
Os direitos de participação política não se esgotam nos partidos. Embora estes sejam, na sua concepção, uma das mais nobres formas de participação cívica, outras expressões de cidadania podem, e devem, ter relevância na gestão da res publica.
Lamentavelmente, a cidadania activa está hoje condicionada pela consciência dominante de que a política é, sobretudo, um meio para alguns atingirem fins privados em prejuízo do bem público.
Na antiga Grécia, pátria da democracia – não nos esqueçamos disto –, os cidadãos eram obrigados, legalmente, a assumir cargos públicos à vez. Sacrificavam parte da sua vida privada para poderem servir a sociedade. No mundo actual, contudo, os políticos, de um modo geral, optam por colocar os seus interesses privados acima da sua obrigação perante quem neles confiou.
Nos tempos incertos que vivemos, o conceito de cidadania e, principalmente, a sua vivência, esvaem-se, assim, na tormenta.
A cidadania pressupõe um sistema democrático. Sem democracia não há cidadãos, mas sim súbditos ou vassalos. E a democracia – pressupondo o reconhecimento de equidade entre os membros de uma sociedade – não se compadece com falta de comunicação e quebras de lealdade entre eleitos e eleitores.
Quem colhe os frutos não pode esquecer quem plantou a árvore.
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