
É urgente Abril
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"No final era visível a desilusão nos rostos presentes".
Aqui há dias decorreu na Câmara Municipal uma sessão pública que serviu para dar a conhecer a estratégia de desenvolvimento de Barcelos para a próxima década, e cujo desenho foi encomendado pelo executivo a uma empresa de Matosinhos, especialista, ao que parece, em traçar o sentido do progresso alheio a troco do seu próprio, conforme demonstram os 70 000 euros pagos pelo estudo, e noticiados neste jornal. Tal como em tempo aqui mesmo afirmei, num texto intitulado "Governar por subempreitada", publicado na edição de 21 de Abril último, estamos perante a bizarra situação de ver invertidos os papéis entre políticos e técnicos, onde os primeiros passam a pôr em prática as orientações dos segundos, numa subversão absoluta da ordem e sentido da governação. Disse-o então, repito-o agora, ainda para mais depois de ver o que nos foi apresentado.
Debrucemo-nos pois sobre o estudo e as suas conclusões, fazendo por esquecer a forma como foi apresentado publicamente, pois ao que se assistiu foi a um discurso pleno de vacuidades, embrulhado em irritantes anglicismos tecnocráticos, tão em voga quando se pretende impressionar plateias (aquela do Caminho de Santiago ser designado por CS_checkpoint é inesquecível…). No final era visível a desilusão nos rostos presentes, pelo que se impunha, face à deficiente apresentação do trabalho, a leitura do material entregue: dois volumes, de 140 e 80 páginas, sendo o primeiro a compilação da informação recolhida em várias fontes (INE, CCDR, CMB, etc.), e o segundo referente às conclusões e propostas estratégicas.
E, resumidamente, quais são elas?
Desiludam-se aqueles que estão à espera de grandes revelações, pois o que os especialistas em desenvolvimento concluíram agora já os barcelenses sabem há muito: Terminar a Circular Rodoviária, recuperar o Centro Histórico, revitalizar o Cávado e as suas margens, valorizar o Caminho de Santiago, promover o artesanato e os produtos a ele associados, apoiar a iniciativa dos empresários que cá queiram investir, olhar para a agro-pecuária como criadora de riqueza económica e paisagística, etc., etc.
Haverá alguém que veja nisto alguma novidade? Certamente que não. E também não é novidade para ninguém que, uma vez mais, se tenha gasto tempo e dinheiro em fait-divers que apenas servem para esconder a inacção municipal.
Convenhamos que vir apresentar a estratégia governativa para os próximos anos a meio do mandato é coisa que a poucos lembraria…
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