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29 de Setembro de 1511/2011
Quando falamos sobre as fogueiras da inquisição vêm-nos sempre à memória o Tribunal de Santo Ofício da Igreja Católica, instaurado pelo concílio de Verona nos finais do século XII e, mais tarde, reformulado pelo Papa Gregório IX em pleno século XIII, atingindo o seu clímax nos seculos XV, XVI e XVII.
No entanto, este sinistro tribunal não foi, infelizmente, monopólio da Igreja Católica. Outras religiões cristãs e, não só, até aos nossos dias, também têm os seus “ esqueletos no armário “.
Vem isto a propósito, porque celebra-se, precisamente hoje, - 29 de Setembro de 1511 - a data de nascimento de Miguel Servet, para muitos o precursor da tolerância, perseguido pela inquisição católica e condenado à fogueira pela inquisição da igreja reformista de Calvino, em Genebra, no dia 27 de Outubro de 1553.
Miguel Servet natural de Vilanueva de Sigena, no então Estado de Aragão, muito perto da cidade de Huesca.
Tendo estudado as línguas clássicas como o Latim, Grego e Hebraico, num convento dominicano ampliou os seus conhecimentos com o estudo de história, geografia, matemática, religião e já em França, mas propriamente nas cidades de Toulouse, Lyon e Paria, onde estudou Direito e Medicina.
Era, portanto, um verdadeiro homem do Renascimento, um Humanista, que publicou vários tratados de astronomia, astrologia, matemática, mas foi no estudo da religião, colocando em causa a Trindade, dizendo que nem no Antigo, nem no Novo Testamento havia qualquer referência à Trindade, pelo que o Cristianismo primitivo tinha sido corrompido durante os três primeiros séculos depois de Cristo, com falsos ensinamentos, sendo a mais grave a doutrina da Trindade, afirmando que esta doutrina foi uma das muitas invenções do Concílio de Niceia, no ano 325.
A par dos estudos religiosos, colocando em causa, os pilares da religião católica e protestante, Miguel Servet, tem uma descoberta na medicina, totalmente revolucionária para a época: a circulação sanguínea.
Calvino, o grande líder da reforma protestante, apesar de conhecer na juventude Miguel Servet torna-se seu principal inimigo e perseguidor, tendo-o até denunciado os seus “excessos “ à inquisição católica que o persegue, mas não consegue prendê-lo acabando por o queimar em figura de boneco. Foragido da inquisição católica é preso em Genebra, baluarte do protestantismo luterano, quando ia a caminho de Itália. Foi denunciado e preso a mando do seu eterno inimigo Calvino. Na cadeia Calvino tenta convencê-lo a renunciar às suas ideias, mas Servet diz-lhe “ a justificação natural é dar a cada um o que lhe pertence e a cada um segunda a sua necessidade sem prejudicar ninguém. Seguir a nossa consciência e a razão natural, de forma que não queiramos fazer aos outros aquilo que nos prejudicam. Não discordo em tudo que ensinam os católicos e os protestantes, porque todos têm um pouco de verdade e um pouco de erro, mas todos vêem os erros dos outros e ninguém vê os seus próprios erros. ….Parece-me grave matar um homem só porque está errado na interpretação da Bíblia, sabendo que os mais sábios também erraram”.
Este grande humanista que conviveu com Erasmo de Roterdão e que, possivelmente, conheceu o nosso Damião de Góis, tornou-se num ícone da tolerância e um exemplo para os grandes pensadores dos séculos vindouros como Descartes, Espinosa, Voltaire, etc, .
O seu pensamento nesta época tão conturbada com guerras religiosas por toda a parte, onde a intolerância é cada vez mais latente nos conflitos mundiais e países ainda com a aplicação da pena de morte, deve ser uma luz para quem preconize a paz e a convivência religiosa e pacífica entre os Povos. Pois como dizia o protestante e contemporâneo de Miguel Servet, Sebastián Castellio: “Matar um homem não é defender uma doutrina, é matar um homem “.
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