
O fim de um ciclo
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"A rotunda de acesso ao hipermercado deveria ser obrigatória, e não uma contrapartida, porque só ao hipermercado interessa.".
Miguel C. Gomes tem duas opiniões sobre o mesmo assunto: a instalação de grandes superfícies comerciais no nosso concelho. Enquanto presidente da Associação Comercial e Industrial de Barcelos (ACIB) era contra a instalação deste tipo de comércio, já na qualidade de presidente do município não tem nada a obstar.
No papel de líder dos comerciantes locais, tem, de facto, fortes argumentos que sustentam a sua opinião: os hipermercados disparam verdadeiros torpedos sobre o tecido comercial tradicional, provocando rombos irremediáveis, principalmente no emprego e na manutenção de dezenas e dezenas de micro e pequenas empresas. Depois, como líder do sector, só tem que defender os seus associados, aqueles que o elegeram e para com quem tem deveres de fidelidade eleitoral e de classe.
Na figura de autarca, a sua perspectiva de desenvolvimento económico do concelho obriga-o a outra posição: cabe-lhe captar investimento, novas receitas para a autarquia e promover o progresso. Daí que aprovar uma estrutura como o Modelo seja perfeitamente compreensível, diríamos mesmo natural. Pela aparente contradição, em nossa opinião, não deverá ser criticado.
O mesmo já não ocorre relativamente à decisão sobre as contrapartidas do licenciamento. Escolher entre uma passagem desnivelada na rotunda junto à Mercedes e uma rotunda de acesso ao hipermercado, a decisão seria óbvia: a passagem desnivelada permitia descongestionar o trânsito numa zona, já de si, difícil. E a prová-lo estão os dias difíceis que se têm vivido na zona.
A rotunda de acesso ao hipermercado deveria ser obrigatória, e não uma contrapartida, porque só ao hipermercado interessa. Um túnel seria uma obra que beneficiaria o trânsito de acesso à cidade, debelando os efeitos nefastos provocados pela instalação da unidade comercial naquele local.
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